Um caminho de reconciliação e de cura

A imagem do Papa que viaja numa cadeira de rodas, apoiado numa bengala e que precisa de alguém que cuide dele, pode dar asas a comentários diversos, como: que necessidade tinha ele de se submeter a um tal esforço? Não poderia ter ficado sossegado no Vaticano a tratar da sua saúde?. A resposta a estas e outras perguntas foi dada pelo próprio Papa Francisco na Audiência Geral do dia 3 de agosto, quando partilhou algumas reflexões sobre a sua recente viagem ao Canadá.

Num tempo em que a Igreja, em todo o mundo, está a ensaiar a caminhada sinodal, a viagem ao Canadá insere-se numa iniciativa de “reconciliação e de cura” que é necessário implementar em todas as Igrejas locais, porque a Igreja ou é sinodal ou não é Igreja. O Sínodo − diz o Papa − não é um encontro político ou um comité para decisões parlamentares, mas é expressão da Igreja onde o protagonista é o Espírito Santo: sem o Espírito Santo não há Sínodo. Por isso, é preciso escutar e obedecer aos ditames do Espírito Santo.

A ida ao Canadá foi necessária e importante, porque foi uma “viagem penitencial”, em ordem à reconciliação e à cura, que pressupõem
“conhecimento histórico, escuta dos sobreviventes, consciência e, sobretudo, conversão e mudança de mentalidade”. Nesta viagem, admitiu o Papa, houve “momentos dolorosos”, mas era necessário encará-los, pois “devemos encarar os nossos erros, os nossos pecados”.

Podemos, assim, afirmar que, com esta viagem, o Papa Francisco quis mostrar a toda a Igreja qual deve ser o rumo a tomar na caminhada sinodal: um “percurso de memória, de reconciliação e de cura, a partir do qual nasce a esperança”.

O caminho da salvação, que é e deve ser o caminho da Igreja, é o caminho que Jesus percorreu e que podemos ver refletido na figura dos discípulos de Emaús: do fracasso à esperança. Trata-se, afirma ainda o Papa, de

recuperar a harmonia entre modernidade e culturas ancestrais, entre secularização e valores espirituais… semear uma fraternidade universal que respeite e promova a dimensão local com as suas múltiplas riquezas. (…) Uma caminhada entre memória e profecia, para a construção de uma humanidade mais fraterna, que saiba amar a criação e o Criador, em harmonia entre todos.

Foto da capa: Peregrinação penitencial do Papa Francisco ao Canadá. 24 de julho de 2022. Foto EPA/CIRO FUSCO.

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