Tu és o meu filho muito amado

A Palavra de Deus

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias.
João tomou a palavra e disse-lhes: “Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”.
Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba.
E do Céu fez-se ouvir uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.

Lc 3, 15-16.21-22

A palavra de Santo António

O Pai glorificou o seu Filho no nascimento, ao fazê-lo nascer de uma Virgem, no rio Jordão e num monte, quando disse : “Este é o meu filho amado”.

Glorificou-o ainda na ressurreição de Lázaro, na Ressurreição e na Ascensão.

Por isso, disse em S. João: “Pai, glorifica o teu nome”.
Veio, pois, uma voz do céu, dizendo: “Glorifiquei-o”, na ressurreição de Lázaro; “e de novo o glorificarei” na Ressurreição e na Ascensão.

“É, pois, o Pai, que vós dizeis ser o vosso Deus, quem me glorifica”.

Aqui está abertamente um testemunho contra os hereges, que afirmam ter sido dada a Lei a Moisés pelo deus das trevas. Mas o Deus dos judeus, que deu a Lei a Moisés, é o Pai de Jesus Cristo; portanto, o Pai de Jesus Cristo é que deu a Lei a Moisés.

“E vós não o conheceis” espiritualmente, quando servis os bens terrenos. “Eu, porém, conheço-o”, porque sou um com Ele. “E se disser que não o conheço”, quando o conheço, “serei mentiroso como vós”, que dizeis conhecê-Lo, quando não o conheceis.

“Mas eu conheço-o e guardo a sua palavra”. Como Filho, exprimia a palavra do Pai; e Ele mesmo era a Palavra do Pai, Ele que falava aos homens. Guarda-se a si mesmo, isto é, guarda a divindade em si

Sermões de Santo António, Quinto Domingo da Quaresma

Aprofundemos

Santo António não nos deixou um comentário completo ao texto do Evangelho de Lucas que lemos na festa do Batismo do Senhor, mas apenas alguns versículos, tais como: “O misericordioso Senhor virá limpar a eira e juntar o trigo no celeiro e queimar a palha com fogo inextinguível “(Lc 3,17) e o versículo 22, que retoma, com Mateus e Marcos, a declaração do Pai no Monte Tabor: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.

Esta solene declaração do Espírito Santo é lembrada por António no Sermão do 5º Domingo da Quaresma, quando comenta as palavras de Jesus: “É, pois o Pai, que vós dizeis ser o vosso Deus, quem me glorifica” (Jo 8,54-5,), juntamente com as outras grandes manifestações da glória de Jesus: no seu nascimento, fazendo-o nascer de uma Virgem; na ressurreição de Lázaro e, sobretudo, na sua Ressurreição e Ascensão ao Pai.

Com essas manifestações, Jesus responde às expectativas da multidão: o Messias prometido é João Batista? A resposta de João não deixa dúvidas: “Não, diz ele, não sou eu, mas um mais forte do que eu”, o próprio Jesus, o enviado do Pai, que fala e age em nome do Pai, porque é uma só coisa com Ele.

Também nós hoje estamos à espera de alguém, forte como Deus, que ponha um bocado de ordem nos pensamentos e nos comportamentos de tantos poderosos deste mundo que determinam o bem e o mal, com arrogância e com a força das armas; e se apresentam como “messias”, mas desprezam os pobres e destroem os verdadeiros dons de Deus, a criação e o valor da vida.

A palavra de António foi muito forte na sua época; mas, hoje, também o é, se, batizados, religiosos, leigos, filhos de Deus, amados do Senhor, soubermos anunciá-la com sinceridade e com o fogo de João Batista.

Foto da capa: O Batismo de Cristo, fresco de Pietro Perugino (1482), na capela Sistina. Commons Wikimedia.

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