Santo António em azul e branco

A popularidade de Santo António difundiu-se ao longo dos séculos sobretudo pela sua eloquência e pelos inumeráveis milagres que realizou, que ficaram perpetuados em algumas narrativas que serão sistematicamente reproduzidas permitindo que os crentes, eruditos ou iletrados, o identificassem e o reconhecessem facilmente.

São milagres que confirmam a capacidade de converter os hereges através dos seus sermões que atraíam multidões, que demonstram a proteção que dedicava aos mais desprotegidos no seu tempo – as mulheres e as crianças –, que certificam a devoção que tinha ao Menino Jesus e à Virgem Maria.

E se no resto da Europa estes episódios serão eternizados em pinturas murais e em telas, em Portugal e onde se fala português, será também o azulejo a cumprir essa função. Encontramos a representação dos mesmos milagres em azulejos um pouco por todo o país e pelo imenso Brasil, o que espelha a popularidade de um santo que ultrapassa as fronteiras da religião e afirma uma identidade que une povos e cria laços através de um património e tradições comuns.

Painel de azulejos O Sermão aos peixes, século XVII, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Azambujeira, Rio Maior, Portugal (foto de Nuno Gonçalves)
Painel de azulejos O Sermão aos peixes, século XVII, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Azambujeira, Rio Maior, Portugal (foto de Nuno Gonçalves)

Com o objetivo de divulgar este rico património, o Museu de Lisboa – Santo António, através do CEISA – Centro de Estudos e investigação de Santo António, publicou uma extraordinária investigação de Joaquim Eusébio que une a azulejaria portuguesa a Santo António. Baseada na tese de doutoramento que o investigador apresentou em 2016 à Universidade de Montreal no Canadá, e que foi distinguida com o prémio SOS Azulejo em 2017, este trabalho revela ao público a verdadeira dimensão de um património azulejar dedicado ao santo que nasceu em Lisboa e que se tornou o português mais conhecido do mundo. São mais de 300 painéis historiados, com a representação dos milagres e dos episódios mais marcantes da vida de Santo António, e que levou o autor, os fotógrafos, e agora todos os leitores, numa incrível viagem à descoberta de um vasto património a azul e branco.

Foto da capa: Painel de azulejos O milagre da mula, 1760-1765, Igreja do Convento de Santo António, São Francisco do Conde, Bahia, Brasil (foto de Mateus Morbeck)

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