Quem canta, reza duas vezes

Inês Santos e Gonçalo Oliveira

A edição deste mês é dedicada à música. Quem já ouviu dizer que “Quem canta, reza duas vezes”? Esta frase de Santo Agostinho foi uma das frases que se destacou da entrevista feita aos jovens do Projeto TAU e reflete, de uma forma geral, o sentimento que os jovens nutrem pela música na sua vivência cristã.

A música é uma das formas artísticas mais antigas do mundo, com origens na pré-história. Tornou-se num meio para o ser humano expressar os seus sentimentos, vivências e valores. Até hoje, funciona como veículo da produção cultural. A variedade musical que se pode encontrar é tão grande e vasta como o número de povos e comunidades da terra. Apesar da grande diversidade, é também um elo de ligação, uma linguagem de paz e partilha.

Na Igreja, também a música tem um papel preponderante, nomeadamente, na manifestação da fé cristã. Era e é através dos Salmos que as pessoas louvam a Deus e os cânticos que se ouvem na missa são formas de celebrar a palavra litúrgica. Tomando o exemplo das orações em Taizé, é na simplicidade dos cânticos que as pessoas encontram a tranquilidade necessária para refletir, rezar e se aproximar de Deus.

Os grupos de jovens costumam também criar as suas próprias músicas e tentar de alguma forma traduzir o que retiram do evangelho e da sua vivência de grupo.

Os jovens partilharam que a música é para eles fundamental e imprescindível nos momentos de oração e na Missa. Descrevem que se sentem em harmonia, paz e alegria quando cantam. Acrescentam ainda que os ajuda a concentrar no momento e lhes dá motivação, compreensão e entendimento para acolher o que a oração lhes pede.

É através da música que eles se sentem mais úteis quando participam nas celebrações, e com ela relaxam durante as orações, amplificando, assim, a sua proximidade com Deus e os outros.

A música como instrumento da fé poderá ser uma das chaves para a ligação entre os jovens e a Igreja. Apesar de cada um de nós viver a música de maneira diferente, sentimo-nos em harmonia uns com os outros, como se tivéssemos “uma só voz”. Nestes momentos, não nos sentimos sozinhos, mas em comunhão. É este sentimento que os jovens procuram e deve ser nutrido e explorado pela Igreja.

“Cantar é rezar duas vezes” e pode ser o convite perfeito para os jovens rezarem mais e melhor. Nem sempre o problema está no conteúdo, mas na forma como ele é apresentado.

É curioso que os jovens caracterizam muitas práticas da nossa Igreja como “secantes”. Parte do desinteresse deles advém da maneira como são vividas as várias celebrações e orações. O terço é uma das formas de oração mais conhecidas, mas que, ao mesmo tempo, mais associamos aos nossos avós. A simplicidade da repetição do Pai Nosso e Avé Maria, pode-se tornar numa das orações mais bonitas e intensas. No entanto, é preciso maturidade e compreensão por quem a reza. Nem sempre os jovens estão prontos ou dispostos para este tipo de oração.

A música deve ser tida em consideração como uma forma de rezar do mesmo calibre, porque permite preparar o coração dos mais novos à relevância da oração na vida cristã. Mais importante, ainda, é dar espaço para que sejam eles a criar novas músicas e formas de oração. Ao darmos espaço à sua participação, eles sentem-se mais envolvidos e motivados a contribuir para a edificação da igreja.


XXV Festival Diocesano da Canção Jovem

Atuação do Projeto TAU no XXV Festival Diocesano da Canção Jovem

A música na Igreja é ouvida em orações, na Missa, mas também em festivais! O XXV Festival Diocesano da Canção Jovem, organizado pelo SDPJ Coimbra, realizou-se no passado dia 19 de março, na Lousã, e estiveram presentes 6 grupos de jovens, provenientes de vários pontos da Diocese de Coimbra.

O Projeto TAU foi um dos grupos que aceitou o desafio de escrever uma música original inspirada no tema deste ano para a JMJ, “Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!”. O tema “Ir, sem temer” foi recebido com muito entusiasmo pelas pessoas na plateia e sem dúvida que mostrou ser uma grande manifestação do “sim” que afirmamos diariamente como cristãos. O Projeto TAU voltou para casa com o Prémio Claque e o 2º lugar muito merecidos!

“Queira eu o que Deus quer”, cantado pelos grupos Passo a Passo e Pedras Vivas no retiro conjunto, em fevereiro 2022.
  • Passo a Passo e Pedras Vivas no retiro conjunto, em fevereiro 2022
  • Projeto TAU, prémio claque e 2º lugar no XXV Festival Diocesano da Canção Jovem

Foto da capa: Projeto TAU, prémio claque e 2º lugar no XXV Festival Diocesano da Canção Jovem. Pedro Diogo e Sofia Bidarra na percussão, Daniel Diogo e Ana Catarina Santos na voz, João Samuel Diogo na guitarra e na voz, Jorge André “Droó” na guitarra.

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