Quando for grande, quero ser…

Inês Santos e Gonçalo Oliveira

Junho é, para os jovens, um mês de grande pressão, sendo o principal fator a escola. É nesta altura que fazem frequências, exames finais e muitos decidem o rumo que querem dar à sua vida ao terminar o ensino secundário.

Alguns veem-se simultaneamente interessados em várias áreas de estudo. Outros não sentem qualquer inclinação para os cursos que lhes são apresentados. Outros ainda, não pretendem de todo seguir para o ensino superior. Nem todos entendem desde criança a sua vocação e o que pretendem seguir. A questão em mão é: os jovens devem ou não, com 18 anos, saber e decidir o que querem fazer para o resto da sua vida? A resposta mais rápida à pergunta é “Nim”.

Se estás a ler este artigo e te encontras nesta situação, podes respirar fundo. Qualquer que seja a decisão que tomares, ela não vai ser definitiva. No entanto, não deixa de ser uma decisão importante na tua vida.

Vamos desconstruir os vários fatores que dificultam esta escolha, tornando-a, para muitos, num bicho de sete cabeças.

Quão bem te conheces?

Como todas as decisões começam em nós, perguntamos-te: Quão bem te conheces? Cuidado! Tem rasteira!

Dizemos que somos os que melhor nos conhecemos, mas quando nos colocam estas perguntas é-nos difícil responder. Quando foi a última vez que te sentaste a refletir sobre o que mais gostas de fazer e que puxa por ti? Os nossos dias estão atafulhados de mil e uma propostas (atividades extracurriculares, escola, propostas culturais, desporto, etc.) e nós, amedrontados pelo silêncio, vamos preenchendo-os com todas elas. Os momentos em que estamos sozinhos e que podemos até considerar aborrecidos, são potencialmente os melhores para pensarmos sobre a vida e conhecermo-nos a nós próprios. O segredo está aqui. Tu não estás a escolher uma profissão, estás a escolher um caminho e a única bússola que tens és tu próprio.

Existem milhares de profissões, vocações e áreas diferentes que se cruzam e outras que surgem todos os dias. É impossível conhecermos todas as opções e nem sequer é esse o objetivo. Para navegares nestes mares desconhecidos, precisas de descobrir o teu Norte. Assim, irás sempre ter ao sítio certo, mesmo que faças algumas paragens e desvios no teu caminho.

Tu não vais tomar “A” decisão, vais tomar uma decisão

Não é mais do que o início da vida adulta, onde começas a decidir o rumo da tua vida e não outra pessoa por ti. Tal como muitas outras coisas, este é um processo que se repete, onde aprendemos com os nossos erros e também com os sucessos. À medida que crescemos e conhecemos melhor o mundo e a nós próprios, também os nossos gostos e interesses se transformam. A reflexão e introspeção é algo que vais ter que passar a adicionar na equação da tua vida, para sentires que ela faz sentido para ti.

Tu vives no presente, no aqui e agora e não no futuro

Não te esqueças de aproveitar cada troço do caminho, porque é no dia-a-dia e nas pequenas coisas que encontramos as pistas para os passos seguintes.

Agora que já não partes do zero, é preciso abordar outros fatores que podem pesar na tua cabeça. Cada vez mais se evidencia o medo de não sermos capazes de corresponder às expectativas que os outros têm para nós ou até mesmo aquelas que definimos para nós próprios.

É certo que contamos sempre com o apoio dos que nos são mais próximos e nos conhecem melhor para ajudar na deliberação entre as diversas opções em cima da mesa. No entanto, mesmo querendo o nosso bem, podem pressionar-nos a seguir um determinado percurso com o qual não nos identificamos.

É normal que os pais queiram garantir que os seus filhos tenham uma vida estável e descansada, seja a nível monetário e de segurança laboral, do reconhecimento por um determinado ofício ou do orgulho em ver o negócio ou ofício da família se estender por mais uma geração. Mas esta proteção pode levar precisamente ao oposto do que desejam.

A armadilha das notas de entrada nos cursos

A nível escolar, por exemplo, as notas de entrada nos cursos e as candidaturas a universidades mais prestigiadas, podem cegar tanto os pais como os próprios jovens a achar que aquele é o único caminho possível para a felicidade e que qualquer falha resulta em algo catastrófico. A lição recai tanto nos jovens como nos pais. A função deles e restantes familiares é dar o espaço e o apoio necessário aos jovens para que possam ser eles a tomar decisões, partilhando a experiência e sabedoria que adquiriram ao longo dos anos.

Como cristãos, devemos abraçar o dom da vida que Deus nos deu e usar os nossos talentos para sermos Sua obra na construção de um mundo melhor. Só Ele sabe o caminho que está traçado na nossa vida.

Deixamos-vos com uma reflexão de Matt Haig, no seu livro O Mundo À Beira de Um Ataque de Nervos:

Talvez o objetivo da vida seja prescindir das certezas da vida para abraçar a gloriosa incerteza.

Sugestão de reflexão

Vai para um lugar calmo onde possas estar sozinho, sem ser interrompido, e começa a traçar um plano mental. O que é que desperta mais a tua curiosidade e de alguma forma te motiva a querer explorar um tema ou a fazer algo todos os dias?

Depois de refletires sobre isto, pensa em alguma referência que tenhas de alguém que te inspire a fazer isso mesmo. E agora pergunta-te: Porque não eu fazê-lo também? Em que é que eu poderia contribuir e trazer algo de diferente? Qual o caminho que tenho de seguir para construir aos poucos esta vida?

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