Papel da mulher nos processos de reflexão e decisão em Igreja

sínodo #sinodalidade #Igreja
Sílvia Monteiro

Texto pescado na rede Facebook, a 5 de fevereiro, às 20:11. Faz parte de uma série de reflexões sobre o Sínodo que a Sílvia Monteiro tem vindo a partilhar na sua página pessoal do Facebook.

A Igreja tem um rosto FEMININO!

As mulheres estão em maioria na Igreja, são responsáveis pela maior parte do serviço na liturgia, catequese, ação social… No entanto, quando olhamos para os processos e locais de reflexão e tomada de decisão, onde está essa representação? Qual o número de mulheres verdadeiramente envolvidas nos processos de decisão na vida da Igreja?

A realidade é assustadoramente dolorosa. Não falo numa proporção de acordo com a participação, nem sequer numa lógica de paridade… Falo na necessidade imperiosa de dar voz às mulheres, que não são melhores nem piores do que os homens, são DIFERENTES! Considero que esta ausência de mulheres na liderança da instituição é uma das principais causas para o declínio progressivo e avassalador da nossa Igreja.

Apesar do contexto religioso, social e político, as mulheres tiveram um papel central na vida de Jesus; estiveram sempre presentes na Sua vida, mesmo nos momentos mais dolorosos. Foram elas que permaneceram aos pés da cruz! Foi a uma mulher que Jesus anunciou a sua ressurreição e enviou a anunciar a boa-nova!

Durante séculos todas as dimensões da vida, da sociedade e da Igreja foram dominadas por homens. O que é que isso nos trouxe? Demasiadas vezes guerras de poder, injustiças, desigualdades, escândalos sexuais, destruição da casa comum…

É urgente mudar este paradigma!

É urgente reconhecer as características da energia feminina: acolhimento, cuidado, doação, compaixão, contemplação, conciliação, harmonia, criatividade, ternura, sensibilidade, beleza, leveza, intuição, espiritualidade… Dons tão necessários ao nosso tempo!

Atualmente, na sociedade, instituições e organizações preconiza-se uma liderança baseada na confiança, fundada na CREDIBILIDADE, FIABILIDADE E INTIMIDADE. Acredito que as mulheres têm de assumir um papel essencial neste novo estilo de liderança em Igreja, tão fragilizada pelos abusos de poder perpetrados e perpetuados pelos homens, em particular pelos ministros ordenados.

Na exortação apostólica Querida Amazónia, o Papa Francisco reconhece a força e o dom da mulher e reafirma o seu papel central na Igreja sinodal.

Para que esta realidade seja possível, cada uma de nós tem de colocar os talentos que recebeu ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, assumindo em cada comunidade, paróquia e diocese a plenitude da sua missão enquanto mulher.

Ser mulher nos nossos dias constitui um desafio, mas acredito que podemos ter um papel decisivo para despoletar o processo de mudança de que a Igreja tanto precisa, neste caminho de sinodalidade, caminho aberto que se desdobra no tempo, num estado permanente de renovação!

Queridas mulheres, ninguém faz o nosso caminho por nós!

Precisamos de sair da nossa zona de conforto para entrar em novas zonas de aprendizagem, colocar o foco no essencial, exercitar a escuta ativa, aceitar novos desafios, ousar fazer a diferença e acreditar que temos condições para seguir em frente, para sermos protagonistas neste caminho de renovação e reparação da Igreja.

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