O debate sobre São Paulo

A leitura das Cartas de Paulo pode constituir para a leitora ou o leitor um desafio dificilmente superável, dada a força das imagens e a capacidade de transmissão de uma mensagem tão densa em tão poucas páginas. Daí que as leituras superficiais possam surgir: ou que Paulo deturpou (complicou) o Evangelho cristão originalmente simples ou que Paulo abriu ao mundo aquela que era apenas uma pequena comunidade judeo-cristã.

N. T. Wright, bispo anglicano, reputado investigador sobre o pensamento de Paulo, neste pequeno livro composto por cinco capítulos, explica algumas questões difíceis relacionadas com a teologia paulina: o conhecimento de Jesus segundo a carne e segundo o Espírito, a expectativa da vinda do Senhor, a relação dos discípulos de Jesus com o Israel de Deus, a linguagem apocalíptica, a salvação dos crentes. No centro da leitura de Wright está a grande conversão do nosso pensamento sobre a vida em Cristo: mais do que uma salvação individual da alma que espera “ir para o céu”, Paulo anuncia um tempo novo inaugurado pela Ressurreição de Cristo, capaz de transformar a vida de uma comunidade como transformou a própria vida do Apóstolo, gerando novas relações e novos modos de habitar o tempo. É a partir desta experiência que todo o pensamento paulino se pode interpretar, suscitando novas perguntas e um novo desejo de compreender a vida em Cristo.

A crença de São Paulo num novo mundo nascente foi uma consequência direta do momento dramático em que foi confrontado com o próprio Jesus, ressuscitado dos mortos pelo Deus de Israel. A Ressurreição de Jesus foi, acreditava São Paulo, o lançamento de uma nova criação, de um novo mundo nascido das entranhas do antigo. A Ressurreição de Jesus foi o clarão que iluminou tudo em todas as direções como a queda súbita de um relâmpago numa noite escura.

Autor: N. T. Wright
Edição: Lucerna
Páginas: 128

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