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Quem é Santo António?

Pequena vida de Santo António

Resumo

Fernando Martins de Bulhões nasceu, em Lisboa, por volta de 1195.
Depois de ter recebido a primeira instrução junto à Sé, aos 15 anos, entra no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde prossegue a sua formação. Pouco tempo depois, ingressa no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde completa a sua formação e é ordenado sacerdote, aos 25 anos.

Em fevereiro de 1220, chegam ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, as relíquias dos cinco missionários franciscanos que tinham sido martirizados, em Marrocos. Fernando, cativado pela sua coragem, simplicidade e fé, em confronto com a mediocridade da sua vida, decide juntar-se aos franciscanos e partir para as missões. Troca o mosteiro de Santa Cruz pelo pobre ermitério de Santo Antão dos Olivais, muda de nome e assume o de António e, depois de um breve tempo, parte para Marrocos na senda dos cinco primeiros Mártires franciscanos.

Mas Deus tinha outros planos. Em vez dos caminhos de Marrocos, António percorre os caminhos da Itália e da França anunciando e testemunhando a Boa Nova de Jesus Cristo, tornando-se o grande evangelizador da Igreja do seu tempo. Através da sua palavra e do seu empenho contribui para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Quando morre em Pádua, a 13 de junho de 1231, as crianças irrompem pela cidade gritando “morreu o Santo!”.

Santo António de Lisboa

Nasceu em Lisboa, em 1195, primogénito de uma família nobre e rica, e recebeu o nome de Fernando. Os parentes auguravam para ele um futuro brilhante como magistrado ou bispo.

Aos 15 anos, deixa o palácio e começa os estudos no Mosteiro de São Vicente de Fora e depois no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A eles deve a sua formação intelectual, que o torna um dos eclesiásticos mais cultos da Europa dos inícios do século XIII. Em Coimbra estuda teologia e é ordenado sacerdote, aos 25 anos.

Santo António de Coimbra

Santo António veste o hábito franciscano – Sacristia Quadro de Pascoal Parente (1796)
Santo António veste o hábito franciscano- Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais, Coimbra. Quadro de Pascoal Parente (1796).

Em fevereiro de 1220, espalhou-se em Coimbra a notícia de que tinham sido martirizados, em Marrocos, cinco missionários franciscanos. As suas relíquias vieram para a Igreja de Santa Cruz, onde se encontrava Fernando. Também ele venerou os novos mártires, reevocando o encontro tido com eles, poucos meses antes. Ficou cativado pela sua simplicidade e fé, em confronto com a mediocridade da sua vida, na rotina e no conforto do mosteiro. Um dia, os Franciscanos, que viviam no ermitério de Santo Antão dos Olivais, bateram à porta para pedir esmola. Fernando aproveitou para revelar a sua decisão. Deixaria os Cónegos Regrantes para se tornar franciscano e partir para Marrocos. E assim foi: deixou o Mosteiro de Santa Cruz, vestiu o hábito franciscano e mudou o nome para António. Depois de um breve tirocínio embarcou para África.

De África até Assis

A missão em Marrocos transformou-se numa grande desilusão. Em vez de pregar nas praças, fica doente, com febre malária, e tem que regressara Portugal. O navio, porém, sofre um naufrágio e é arrastado até às praias da Sicília. Doente e vivendo uma crise interior, António parte para Assis, onde encontra São Francisco, no Capítulo das Esteiras de 1221. O encontro com o “Poverello” restitui-lhe a paz interior. De Assis, é enviado para o ermitério de Monte Paulo.Antes de ir pregar aos outros, o Senhor quis que ele se convertesse no íntimo de si mesmo. Mas, um dia, António foi chamado para Forlí para uma ordenação sacerdotal. Acontece que, tendo faltado o pregador oficial, encarregaram-no de dizer algumas palavras. Revela-se, então, todo o seu talento de pregador. A partir daquele dia, é enviado a percorrer os caminhos de Itália e de França para levar a todos a Boa Nova do Evangelho.

Luz que resplandece nas trevas

Sermão de Santo António aos peixes. Óleo sobre tela, Paolo Veronese, 1580, Galleria Borghese, Roma.
Sermão de Santo António aos peixes. Óleo sobre tela, Paolo Veronese, 1580, Galleria Borghese, Roma.

Como na vida de São Francisco se encontra a pregação às aves, assim na vida de Santo António encontramos a pregação, não menos fantasiosa e poética, aos peixes. Aconteceu na cidade de Rimini, dominada pelos hereges. Quando chega, as Igrejas estavam vazias e ninguém disposto a escutá-lo. Então, caminha meditando e rezando até chegar ao mar Adriático, onde começa a chamar o seu auditório: “Vinde vós, ó peixes, ouvir a palavra de Deus, já que os homens soberbos não a querem ouvir!”.

Fazendo-se tudo para todos

António conquistava as pessoas com a força da oração, com o exemplo e com a Palavra. Graças ao seu empenho e ao dos outros missionários franciscanos e dominicanos, a Europa cristã em poucos anos adquiriu um novo rosto. No entanto, a sua missão não se limitava à pregação. Teve cargos de responsabilidade na Ordem Franciscana, nomeadamente o de Ministro Provincial da Itália do Norte. Fundou os estudos teológicos da Ordem, ensinando em Bolonha, Montpellier, Toulouse e Pádua. E ainda encontrou tempo para compilar Os Sermões, que lhe mereceram o título de Doutor da Igreja.

Apóstolo de paz e de bondade

“Paz e bem” era a saudação dos primeiros franciscanos. Paz e bondade entre o poder civil e a autoridade religiosa, paz e bondade entre os diversos municípios que os interesses e o orgulho impeliam a guerrear-se continuamente.

António gozava de grande prestígio pela fama dos milagres e pelos dotes de afabilidade e de equilíbrio. É natural que muitas famílias pedissem a sua ajuda para ultrapassar problemas e dificuldades. Nunca saberemos a quantos lares ele terá dado assistência, confiança, paciência e harmonia.

Contra a tirania do dinheiro

É difícil para nós, fazermos uma ideia do trabalho de um missionário na Idade Média. Quando ele entrava na cidade, podia-lhe acontecer de tudo: das querelas dos partidos políticos aos conflitos com o clero; dos litígios das famílias às dúvidas dos intelectuais; das condições nas prisões aos estatutos administrativos; tudo se concentrava sobre ele. Por outro lado, assistia-se ao desenvolvimento de uma economia pré-capitalista. Havia um pequeno, mas ativíssimo mundo de negócios, o dinheiro circulava, nasciam os primeiros bancos e florescia a praga da usura. É famoso o milagre que ele realizou quando, chamado a pregar durante o funeral de um usurário, mostrou que o desgraçado tinha o seu coração não no peito, mas no cofre, no meio do seu adorado dinheiro.

Santo António de Pádua

Santo António (Pietro Liberi - Igreja de Arcella - Pádua).
Santo António (Pietro Liberi – Igreja de Arcella – Pádua).

Cansado pelas contínuas viagens e pela doença, e sentindo que a morte chegava, António pediu para se recolher no convento de Camposampiero, perto de Pádua, no ermitério que o dono do lugar, o conde Tiso, tinha doado aos Franciscanos. Passeando pela mata, viu uma nogueira e teve a ideia de construir, entre os nodosos ramos da árvore, uma pequena cabana. Uma noite, o conde Tiso viu uma intensa luminosidade vindo da sua cela. Pensando que fosse um incêndio, abriu a porta e viu António que segurava nos braços o Menino Jesus.

Ao encontro do Senhor

Na sexta-feira, 13 de Junho de 1231, ao meio-dia, António, desceu da sua cabana na nogueira. Pediu que o levassem para Pádua, pois queria morrer junto da amada igrejinha de Santa Maria. Já perto de Pádua, persuadiram-no a parar em Arcella, junto ao pequeno convento das Irmãs Clarissas. Esgotado, mas lúcido, quis receber o sacramento da Reconciliação, a Eucaristia e o óleo dos Enfermos. Em seguida entoou um cântico à Virgem e balbuciou “Vejo o meu Senhor!”. Apagava-se assim, com 36 anos de idade, um dos maiores apóstolos de Cristo e do Evangelho.

O Santo de todo o mundo

A fama de António espalhou-se rapidamente. Ainda não tinha passado um ano, quando, a 30 de Maio de 1232, na catedral de Espoleto, o Papa Gregório IX elevava António à honra dos altares. Em 1263, os seus restos mortais foram transportados para a nova Basílica de Pádua, estando presente São Boaventura. Aberto o caixão, viram a língua do Santo prodigiosamente incorrupta. O culto a Santo António continuou a crescer, tornou-se mundial, ultrapassando as fronteiras da Igreja católica. Hoje não há povo que não conheça Santo António.

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