Jesus, Pão da Vida

A Palavra de Deus

Eu sou o pão vivo que desceu do céu: se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que Eu darei é a minha carne pela vida do mundo”.
Altercavam, então, os judeus entre si, dizendo: “Como pode este dar-nos a sua carne a comer?”. Disse-lhes, então, Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiro alimento e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai que vive me enviou e Eu vivo pelo Pai, também quem me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o que os pais comeram: eles morreram; quem come este pão viverá para sempre”.

Jo 6, 51-58

A palavra de Santo António

Jesus, o pão da vida eterna
Jesus, apresenta-se como misericordioso, cuja misericórdia não tem medida.
É natural de Belém, que significa Casa do pão.
De facto, na casa da Igreja somos alimentados com o pão do seu corpo.
“O pão que Eu darei é a minha carne pela vida do mundo” (Jo 6,52).
Também nós seremos naturais de Belém, na eterna bem-aventurança,
onde seremos saciados quando o virmos face a face (1Cor 13,12).

O pão da vontade de Deus
“Tendo Jesus entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus
para comer uma refeição” (Lc 14,1).
O pão é a vontade de Deus, que se deve pôr
diante de toda a gente e com todos os alimentos.
Qualquer obra, que não tenha o pão da vontade divina, é estéril.
Quando o pecador se converte é habitado pela graça;
e, desta forma, a vontade do Senhor, que é vida, encontra-se nele.

O pão que fortalece
Este é o pão vivo; quem o comer viverá para sempre (Jo 6,50).
O pão da vontade do Senhor, fortalece o coração do homem.

Sermões de Santo António

Aprofundemos

Santo António não comenta inteiramente o discurso de Jesus sobre o pão da vida, mas faz algumas referências em dois sermões que contêm dois preciosos ensinamentos: este pão é o Corpo de Cristo que nos é servido na Igreja; e representa a vontade do Senhor, que fortalece o coração do homem.

A Igreja, “casa do pão”
A referência à Igreja, “casa do pão”, é feita por meio de duas interpretações da pessoa de Jesus e da cidade de Belém. Jesus significa misericordioso, de uma misericórdia sem limites, que nos é dada por Deus Pai somente por misericórdia. É chamado pela Bíblia filho de “Belém”, porque nasceu em Belém e Belém significa “casa do pão”. Ora, para nós, a “casa do pão” é a Igreja que nos alimenta com o pão do seu Corpo. Todos os dias, lembra António no sermão da Ceia do Senhor, “a Igreja universal prepara um banquete de manjares deliciosos e de carne cheia de uma dupla riqueza, interior e exterior, com o seu Corpo, enriquecido por dentro e por fora com toda a virtude espiritual e com toda a caridade”.

O pão da vontade do Senhor
O pão da vontade do Senhor é toda a palavra de Deus que dá sentido à nossa vida. Este pão deve ser servido a todos na atividade de cada um, porque tudo o que dizemos ou fazemos sem este pão fica estéril, sem sentido e muitas vezes, quando é ditado apenas pela vontade dos homens, pode tornar-se enganoso. Por isso, António afirma: “O pão que Jesus nos oferece é um pão vivo. Quem dele comer, nunca morrerá porque vive com Aquele que é a Vida. É um pão que nos faz «permanecer nele», nos une a Ele, como Ele mesmo está unido, numa só coisa, ao Pai”.

O pão da vida – conclui António – é a vontade do Senhor, pão que fortalece o coração do homem”.

Foto da capa: A Ceia de Emaús, Caravaggio, 1601, óleo sobre tela. Atualmente na National Gallery, Londres. Commons Wikimedia. Detalhes sobre a pintura em https://youtu.be/1KcdgFxmnb4

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