Cruz da JMJ no Estabelecimento Prisional de Viseu

Pe. João Soares, CM – Capelão do Estabelecimento Prisional de Viseu

Sempre que falamos em cadeia ressoa a ideia de um lugar longínquo onde, à partida, seguros da nossa bondade, achamos que nunca iremos parar, e por vezes, nasce em nós até um sentimento de desprezo. Infelizmente, o nosso olhar fica mais escuro quando falamos dos residentes deste local. Consideramo-los muitas vezes criminosos que devem permanecer lá para pagarem pelo que fizeram.

Mas esquecemo-nos que estes homens e mulheres reclusos são pessoas e que, por detrás de cada uma destas pessoas, existem famílias, contextos e, sobretudo, uma dignidade que se deve manter. Esquecemo-nos de que cada um de nós poderia ser um destes homens e mulheres que, devido a má sorte, à falta de uma família, de educação e de amor caíram em desgraça.

Entrar num estabelecimento prisional é recordar, não apenas o amor de Deus, mas o por que amo a Deus! Amar alguém que me pode trazer vantagens, estatuto e influência é fácil, pois sabemos que receberemos algo em troca. Mas quando a proposta é amar alguém que não tem nada para oferecer além do seu pecado e da sua miséria, a coisa muda de figura. Talvez porque ainda estamos habituados a dar aquilo que nos sobra e não aquilo que temos.

Entrar num estabelecimento prisional obriga-nos a ir ao fundo da nossa existência cristã e a ver o amor de Deus em ato. Se amar é darmo-nos como Jesus se deu na totalidade, então podemos ver isso em cada prisioneiro. Eles dão tudo desde o seu pecado e miséria, a sua privacidade, a sua liberdade, em suma, tudo aquilo que têm tal como Deus. Dali só podemos esperar a eles mesmos e receber a única recompensa que é o amor de Deus.

Hoje, dia 20 de abril, fez-se Páscoa no Estabelecimento Prisional de Viseu.
A Cruz das JMJ foi ter com os prisioneiros e aqueles que nada têm puderam sentir a alegria Daquele que tudo lhes pode dar.

Foi com alegria e fé que cada prisioneiro tocou naqueles símbolos e pôde sentir que a Igreja não os abandona nem descarta e que, apesar de serem poucos os que deles se lembram, Deus nunca os abandona, mesmo e principalmente, quando existe pecado. Recapitulando as Palavras de São Paulo “onde abunda o pecado superabunda a graça”.

Como capelão foi um momento especial, sobretudo experimentar que são estes homens que dão sentido ao meu ministério e que é neles que experimento a presença amorosa de Deus. A vinda destes símbolos trouxe luz a todos aqueles que os acompanham, desde os voluntários da capelania até aos guardas e funcionários, assim como à direção do estabelecimento, a quem agradecemos a disponibilidade para receber esta iniciativa.

A vinda destes símbolos foi um presente de Deus para estes homens. Foi uma luz para os dias cinzentos, uma alegria para a tristeza, um alívio para a dor e uma esperança para aqueles que acham que a sua vida termina ali! Hoje, fez-se amnistia para estes homens!

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