Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe

Começou, em 21 de Novembro, a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe. Realiza-se No Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México e é, para toda a Igreja, um sinal de que a sinodalidade pode ser um caminho aberto.

Esta Assembleia acontece pelo desafio do Papa Francisco aos Bispos do CELAM para substituir a Assembleia Episcopal que se iria reunir no México, em 2021, por uma Assembleia do Povo de Deus. E a novidade acontece: 70.000 pessoas foram escutadas no processo preparatório e na Assembleia participam cerca de 1.000 pessoas assim distribuídas: 200 bispos, 200 padres e diáconos, 200 religiosas e religiosos, 40 leigos (homens e mulheres) e pessoas em situação de exclusão. Na Assembleia, iniciada a 21 de Novembro, há cerca de 80 participantes presencialmente e mais de 900 a participar através dos meios digitais.

Escuta e transbordamento

O Papa Francisco dirigiu a sua mensagem à Assembleia sublinhando duas referências: Escuta e transbordamento:

O dinamismo das assembleias eclesiais está no processo de escuta, diálogo e discernimento. Numa Assembleia, a partilha torna mais fácil “ouvir” a voz de Deus e escutar com Ele o clamor do povo, escutar o povo até respirar nele a vontade a que Deus nos chama. Peço que procurem escutar-se uns aos outros e ouvir os gritos de nossos irmãos e irmãs mais pobres e esquecidos…
O discernimento comunitário exige muita oração e diálogo para podermos encontrar juntos a vontade de Deus, mas também é preciso encontrar caminhos de superação que evitem que as diferenças se transformem em divisões e polarizações. Neste processo, peço ao Senhor que a vossa Assembleia seja a expressão do “transbordamento” do amor criador do seu Espírito, que nos impele a sair sem medo ao encontro dos outros e que encoraja a Igreja para que, através de um processo de pastoral de conversão, seja cada vez mais evangelizadora e missionária.

Um laboratório da experiência sinodal

Esta Assembleia, na sua forma de preparação e na sua realização é um verdadeiro laboratório da experiência sinodal. O Documento para o discernimento comunitário que serve de base à Assembleia pode ser um modelo para as diferentes experiências sinodais que se estão a iniciar nos diferentes países.

Mas esta Assembleia não nasce de um momento para o outro. É fruto de uma longa experiência de recepção do Concilio Vaticano II, que teve os seus pontos altos, em Medelín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007). Se, a partir de Medelin, é a opção pelos pobres a grande referência, agora será acrescentado o cuidado da Casa Comum.

A reestruturação da Conferência Episcopal da América Latina e Caribe (CELAM) está na base de todos estes desenvolvimentos. Esta reestruturação abandona as sete comissões que a constituíam para um modelo organizacional mais pastoral e mais exigente constituído por 4 Centros:

  1. CEPRAC – (Centro de Programas e Redes de Acção
  2. CEG – (Centro de Gestão do Conhecimento)
  3. CC – (Centro de Comunicações)
  4. CEBITEPAL – (Centro Bíblico e Teológico para a América Latina).

Esta reestruturação assume a dinâmica pastoral do conjunto de mais de duas dezenas de Conferências Episcopais procurando estruturar toda a pastoral da América Latina e Caribe.
Estamos diante de um processo de criatividade eclesial que pode ser um desafio e uma esperança para a igreja.

As caravelas estão de volta

O Jornalista Austen Ivereigh (autor de vários livros sobre o Papa Francisco) considera que a sua participação nesta assembleia é um privilégio e afirma que veio “para aprender, sobretudo, as lições de uma Igreja líder na sinodalidade no mundo… Digo que a Igreja Latino Americana é líder em sinodalidade porque desenvolveu ao longo dos anos mecanismos e costumes de escuta do povo. E também pela longa tradição que tem da colegialidade continental, precisamente através do CELAM e das conferências gerais que se têm realizado.

Clódovis Boff dizia, numa sua passagem por Coimbra, que “as caravelas estão de volta”. E essas caravelas trazem uma frescura eclesial muito forte, mas, e cito ainda Clódovis Boff: “Como a Igreja da Europa tem tanto a conservar é-lhe difícil criar algo de novo”.

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