Pobres sempre os tendes convosco

O título da Mensagem do Papa Francisco para o 5º Dia Mundial dos Pobres é tirado do episódio evangélico em que Jesus chama a atenção das pessoas que o rodeavam, afirmando que Ele é o verdadeiro pobre e, portanto, o frasco de perfume que a mulher derramava sobre a sua cabeça nada roubava aos outros pobres! Pelo contrário, tal gesto, recorda-nos que há um laço indivisível entre Ele, os pobres e o anúncio do Evangelho.

Na sua Mensagem, o Papa desenvolve esta ligação “Jesus – pobres” e prossegue:

Toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no meio de nós. Não O encontramos quando e onde queremos, mas reconhecemo-Lo na vida dos pobres, na sua tribulação e indigência, nas condições por vezes desumanas em que são obrigados a viver. Não me canso de repetir que os pobres são verdadeiros evangelizadores, porque foram os primeiros a ser evangelizados e chamados a partilhar a bem-aventurança do Senhor e o seu Reino (cf. Mt 5, 3).

Continuando a aprofundar este tema, o Papa diz perentoriamente:

Jesus não só está do lado dos pobres, como partilha com eles a mesma sorte. Isto constitui também um forte ensinamento para os seus discípulos de todos os tempos. As suas palavras – “pobres sempre os tendes convosco” – pretendem indicar também isto: a sua presença no meio de nós é constante, mas não deve induzir àquela habituação que se torna indiferença… Os pobres não são pessoas “externas” à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. Um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura.

No final da sua mensagem, o Papa Francisco, citando o Padre Primo Mazzolari que dizia “Os pobres abraçam-se, não se contam», conclui:

Faço votos de que o Dia Mundial dos Pobres possa enraizar-se cada vez mais nas nossas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à beira da estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração.

Oxalá o Espírito do Senhor nos dê olhos para ver, ouvidos para escutar e um coração para amar, a exemplo de Santo António, em cujo dia de festa o Papa Francisco assinou esta Mensagem.

Foto da capa: Abertura do Sínodo, em Roma. Foto Ricardo Perna | Família Cristã, 7/10/2021.

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