Descansar e escutar

O ESPECIAL deste mês tem por tema o verbo Descansar. Quando o inserimos na nossa programação, a minha mente correu logo para um livro que, já em 2012, atraiu a minha curiosidade, por causa do título e do autor: Só avança quem descansa, de Vasco Pinto de Magalhães.

Trata-se de um livro que, na sua linguagem simples e cativante, prende o leitor do princípio ao ao fim, enfrentando uma das temáticas essenciais da nossa existência: o trabalho. O “resumo do resumo” do livro é explicado pelo próprio autor: Trabalhar para consumir, consome. Trabalhar para mais comunhão, descansa e faz crescer. Interessante e instrutivo.

Quando, porém, fui buscar o livro na prateleira para revisitá-lo, encontrei com surpresa entre as páginas um pedaço de papel colorido, em forma de coração, com esta escrita: “Escuta Senhor o pobre que grita”. Quando recebi esta mensagem, fiz este comentário: Sim, é verdade que o Senhor escuta a voz do pobre, como sugere o salmo 88, mas, também é verdade que quando nós escutamos o pobre que grita, escutamos o Senhor.

O verão deste ano é uma oportunidade única para vivermos e aprofundarmos estes dois verbos: descansar e escutar. Depois de um período, demasiado longo por causa da COVID 19, sentimos necessidade de arejar e descansar, de comunicar, de viajar e de mergulhar nas maravilhas da natureza. No entanto, não podemos esquecer as consequências que a pandemia acarretou e as interpelações que deixou. Importa, por isso, ver e escutar, refletir e inteirar-se da nova situação que o mundo e a nossa sociedade estão a atravessar.

O verão proporciona-nos a possibilidade de entrarmos numa comunhão que descansa e faz crescer. Mergulhar na obra criadora de Deus e cuidar da “casa comum” abre o nosso coração ao louvor e à gratidão. Escutar e carregar o grito do pobre e da mãe terra saqueada e explorada, enche-nos daquela “santa” indignação, que motiva para um compromisso concreto de renovação e de respeito pelas criaturas e pela criação.

Termino com dois “recados” que o livro, acima citado, propõe. O primeiro é uma pergunta: Que tempo dou àquilo que importa que tenha tempo? O segundo é uma afirmação sábia: Nunca seremos livres se ficarmos na autossuficiência.

Caros amigos e leitores, boas férias no descanso e na escuta!

Foto da capa: Frei Paulo Fappanni. Foto MSA 2016.

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