Triságia

A capela Nossa Senhora da Conceição, no Seminário Menor de Braga, acolhe uma escritura a têmpera da autoria da pintora sueca Lisa Sigfridsson, com o título de “Nossa Senhora da Ternura”, inspirada num ícone russo do século XII conhecido como o “Ícone de Vladimir”. A presença desse quadro acompanha um conjunto de poemas do Autor, em que nome de Maria é o fio que os entretece. A estes poemas – reunidos sob o mote de “janelas sem vidros”, segue-se um “diálogo longo” em torno da história deste Ícone. A concluir, um posfácio de João Paulo Costa, sobre o sentido teológico do ícone.

O ícone torna-se uma janela que concentra o olhar do crente num mistério de ternura maternal, através das mediações do poema, do texto, da oração. Num livro bem cuidado do ponto de vista gráfico, o leitor é introduzido numa lenta meditação orante, textual e visual, que fala de Maria na sua mais profunda humanidade – a sua maternidade. Trata-se de um verdadeiro elogio do rosto divino do Amor, feminino e materno, quando a nossa imagem de Deus é, naturalmente, masculina e talvez de alguma dureza. Por isso – e não sendo fácil o acesso público a esta capela e a este ícone –, Triságia será um convite dirigido ao leitor a entrar num espaço e num tempo diferentes.

Quando perdes a terra firme
nas flutuações deste mundo
não afastes os olhos da sua luz
Evita naufragar no redemoinho
das tempestades. Dos oito ventos
– orgulho ambição maledicência inveja
ira avareza indiferença e corrupção –
protege-te a estrela de Maria.

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