Espaços litúrgicos dos primeiros cristãos

Os primeiros quatro séculos de história da Igreja constituíram o ambiente no qual se estabeleceram os alicerces da experiência e das linguagens cristãs: as palavras que ainda hoje dizemos e que nos dizem (Cristo, Batismo, Eucaristia, Trindade, Igreja) foram criadas nessa época intensa e fecunda, para exprimirem a história da salvação.

Esta obra apresenta uma coletânea de textos dos quatro primeiros séculos sobre os espaços que os cristãos criaram para celebrar a sua fé. O leitor é introduzido neste património literário por um estudo de Isidro Lamelas – responsável também pela escolha e tradução dos textos – que nos apresenta a lenta transição das igrejas domésticas para as grandes basílicas cristãs. A acompanhar essa transição esteve sempre a convicção de que a presença sagrada, na Nova Aliança, reside na comunidade dos crentes que se reúnem em nome do Senhor; os espaços religiosos – igrejas, basílicas, túmulos de mártires, batistérios – possuem um valor funcional e simbólico, cujas linguagens – edificação, construção – exprimem a vida da comunidade. O progressivo crescimento das comunidades e a maior liberdade de reunião do contexto do Império Romano implicou a necessidade de espaços próprios de celebração que não as casas dos crentes: mas é sobretudo em termos catequéticos e pedagógicos que os autores aqui reunidos apresentam a vida cristã e espiritual em ligação ao espaço e ao tempo.

Se a casa de Deus somos nós próprios, somos edificados nesta vida para ser, depois, dedicados, no fim do tempo.

S. Agostinho
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