A Boa Nova da vida e da liberdade

Depois do fracasso do seu “sonho” missionário, António de Lisboa achou por bem retirar-se no ermitério de Montepaolo para “reformular” a sua vida, porque os estudos e as escolhas realizadas não tinham sido suficientes para encontrar o sentido da existência e a alegria da vida.

Foram dois anos de duro trabalho interior, com um único objetivo: acolher a Palavra de Deus, feita carne em Jesus, e deixar-se iluminar e orientar por ela.

Pelas contas de António, provavelmente, a vida inteira não seria suficiente para conseguir este objetivo, mas, uma vez compreendido que não devia ser ele a programar o itinerário da sua vida, entregou-se totalmente à vontade de Deus.

Não passaram dois anos e a voz do Senhor fez-se ouvir. Por ocasião de umas ordenações sacerdotais, António foi convidado a pregar na catedral de Forlì. Depois de ouvir o seu sermão, as pessoas ficaram… sem palavras! Tinham descoberto alguém que, como Jesus, não falava como os escribas e os doutores do Templo, mas com a força do Espírito que conseguia mexer os corações. Era o Espírito do Senhor que falava por meio dele!

A fé cristã – afirma Dominique Collin – não é uma doutrina elaborada por esquemas racionais. O cristianismo, na nossa sociedade racionalista, corre o risco de morrer, porque foi objeto de lições racionais e de moral, tornando-se um conjunto de valores humanistas e fórmulas de catecismo.

Por exemplo, foi-nos ensinado que Deus é um “Ser” perfeitíssimo, mas Ele é Vida e Liberdade, Aquele que faz a diferença, que sacia a nossa fome de amor, de amor total que chega a amar os próprios inimigos. É isso que dá origem à perfeita alegria de viver.

A pregação de António teve um êxito extraordinário, porque era cativante e envolvente. António sabia levar as pessoas a encontrarem-se com o Senhor da Vida, que infundia neles a misericórdia e a paz. Mesmo quando as suas palavras eram cortantes como uma espada, os frutos produzidos eram o arrependimento e a mudança de vida.

Hoje, o nosso mundo parece indiferente diante da proclamação do Evangelho: será que as pessoas já não precisam do Amor do Senhor ou será que nós, os anunciadores da Boa Nova, já não sabemos como comunicá-la e, por isso mesmo, precisamos, em primeiro lugar, de entrar num verdadeiro caminho de conversão interior?

Foto da capa: Santo António servindo à mesa em Montepaolo. Sacristia da Igreja de Santo António dos Olivais, Coimbra. Foto Babo Ribeiro, 2013 | Arquivo MSA.

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