Santo António e a princesa

O milagre “Santo António e a princesa” faz parte do cancioneiro português, referenciado também na Crónica da Ordem dos Frades Menores, manuscrito do século XV, publicado em Coimbra, em 1918.

É um relato que vem demonstrar a proteção de Santo António aos seus compatriotas, ideia que atravessa séculos da devoção em terras portuguesas.

A descrição surge com algumas variantes, mas narra a ressurreição da Infanta D. Aldonsa de Leão e Castela por intercessão de Santo António, que intervém a pedido da Rainha Santa Teresa, filha mais velha do rei D. Sancho I de Portugal, e esposa de D. Afonso IX de Leão.

A infanta, de 11 anos, tinha morrido e a sua mãe, inconsolável e contra a vontade dos cavaleiros e do rei, deteve-a durante três dias, suplicando a Santo António, que era da sua terra, que lhe restituísse a filha. E, ao fim desse tempo, a filha levantou-se do leito da morte.

Mas a história não acaba aqui: a infanta vem zangada e repreende a sua mãe, dizendo que estava feliz entre as virgens do céu, mas que por ela ter rogado tanto a Santo António, este havia intercedido junto de Deus, tornando-a à vida. No entanto, ficaria entre os vivos apenas quinze dias, findos os quais deveria deixá-la ir em paz.

Assim o prometo, filha,
Podes para Deus voltar;
Ora por mim, tu que és anjo,
E que no céu tens altar.

E o romance termina com o espanto de toda a corte por não ver a mãe chorar diante da criança morta.

Mais tarde, em 1657, Jorge Cardoso apresenta no Agiologio Lusitano outra versão deste milagre: a infanta ressuscita, queixosa pela insistência de sua mãe ao poderoso Santo António, que a fez tornar às misérias da vida. Recolhe-se num convento onde viverá mais quarenta e quatro anos para “glória de Deus e honra de Santo António”.

Foto da capa: Óleo sobre tela, Escola portuguesa, século XVII. MLSA.PIN.0046. Em exposição no Museu de Lisboa – Santo António

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