Os Ramos dos Santos

A Palavra de Deus

Depois de passarem por Betânia e Betfagé, chegaram ao Monte das Oliveiras, perto de Jerusalém. Jesus mandou dois discípulos e ordenou: “Vão à povoação que fica ali em frente. Logo que lá entrarem encontrarão um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltem-no e tragam-no cá. Se alguém vos perguntar por que fazem isso, digam que o Senhor precisa dele e logo a seguir o mandará entregar”. Eles foram até lá, encontraram realmente um jumentinho preso a uma porta do lado de fora e soltaram-no.
….
Os discípulos trouxeram o jumento a Jesus, puseram as suas capas por cima do animal e Jesus montou nele. Então muitas pessoas estenderam também as capas pelo caminho e outras espalharam os ramos que tinham cortado no campo. Tanto as pessoas que iam à frente como as que seguiam atrás gritavam: “Glória a Deus! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! 10Bendito seja o reino que está a chegar, o reino de nosso pai David! Glória a Deus nas alturas!”.

Mc 11, 1-10

A palavra de Santo António

Os ramos são os exemplos dos Santos Padres, dos quais diz o Senhor no Levítico: “Tomareis os frutos da árvore mais formosa, espátulas de palmeira, ramos da árvore de densas folhas e salgueiros da torrente e alegrar-vos-eis diante do vosso Deus”.

A árvore mais formosa é a gloriosa Virgem Maria, cujos frutos foram a humildade e a pobreza.
As palmeiras foram os Apóstolos, que deste mundo levaram a palma da vitória.
As espátulas são os frutos das palmeiras antes de abrir.

Por elas entendemos a fé, a esperança e a caridade dos Apóstolos.
A árvore de densas folhas é a cruz de Jesus Cristo, que estende as densas folhas da fé por todo o mundo.
Hossana interpreta-se salvação ou salva, por favor. “Hossana, portanto, ao filho de David”.

Por isso, singularmente és bendito ó Cristo, que vens em nome do Senhor, quer dizer, para honra de Deus Pai. Hossana no mais alto dos céus; salva no mais alto dos céus, Tu que salvaste, remindo na terra, salva, nós te pedimos, colocando-nos no céu.

Sermões de Santo António, Domingo de Ramos

Aprofundemos

Março é o mês do despertar da vida e da festa. São José, como diz o Papa Francisco, amou Jesus “com coração de pai” (Patris corde). A Anunciação de Maria dá-nos Jesus, o “Salvador”. A Semana Santa, marcada pela dor e pelo Sangue de Jesus, é uma promessa de Ressurreição e de vida para nós. António, nosso irmão, acompanha-nos no caminho que conduz Jesus a Jerusalém e à cruz, entre triunfos e traições, para nos fazer saborear os preciosos frutos da Páscoa já próxima.

  • Jesus sobe para Jerusalém. Vem de Betânia, onde Maria ungiu os seus pés com um nardo puro e precioso, anúncio dos perfumes da sua sepultura; e de Betfagé, acolhido como rei, pobre e humilde, sentado sobre um jumentinho, por uma multidão em festa.
  • A sombra da cruz. O triunfo, efémero e momentâneo como um sopro de vento, esconde, porém, na sombra, a tragédia da condenação à morte e da traição. Jesus é condenado, em nome da Lei, como um blasfemo, quando só Ele e não a lei humana, conhece a Deus, seu Pai. É traído e entregue por um discípulo, amado e tratado por Jesus, como diz o nosso Santo, como um verdadeiro amigo.
  • Os frutos da árvore da cruz. Segundo o seu costume, António lembra uma passagem do Levítico e a festa dos Tabernáculos, com as suas árvores frondosas carregadas de frutos (Levítico 23,40). A árvore de folhas densas é a cruz de Jesus Cristo, que estende os braços pelo mundo inteiro. Os frutos desta árvore são os testemunhos dos Santos: Maria, os Apóstolos e todos os santos, sempre verdes de boas obras, como os salgueiros, ao longo da torrente da vida passageira e mortal.

Pedimos-te, portanto, bendito Jesus, que da aldeia desta peregrinação nos reconduzas para ti, na cidade santa, na eterna felicidade.

Foto da capa: Domingo de Ramos na praça de São Pedro, Roma, 2012.

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