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O católico perante a ecologia

Nos Evangelhos encontra-se a luz que ilumina o mistério da existência humana: o Amor puro, gratuito, infinito do Criador pelas suas criaturas, em especial os seres humanos criados à Sua imagem.

É uma mensagem de alento e de consolo perante as vicissitudes da vida, mas constitui também uma fortíssima exortação ética à ação prática, à superação dos dilemas com que nos confrontamos no quotidiano, à escolha das opções mais acertadas na forma como lidamos com os nossos próximos e, também, com a natureza.

O magistério da Igreja pronuncia-se assiduamente acerca deste aspecto prático da fé, tendo o Papa Francisco dedicado a encíclica Louvado Sejas aos problemas ambientais e sociais com que se depara o católico dos nossos dias. São vários, são sérios e tanto requerem uma reflexão atenta por parte dos fiéis como exigem o seu empenho diário para serem enfrentados.

Hoje resumiremos algumas das questões mais graves apontadas pelo Pontífice; nas próximas edições abordaremos os preceitos da doutrina católica a seu respeito.

Desde logo, as alterações climáticas

Há cinquenta anos, parecia implausível aos olhos de quase todos a teoria segundo a qual a Humanidade estava a operar um mudança do clima, transformando a atmosfera numa estufa por meio da queima frenética de petróleo e carvão; hoje assistimos, sentimos na pele a veracidade dessa teoria e os efeitos por ela previstos.

Quanto mais combustíveis fósseis queimamos, seja gasolina ou diesel nos veículos automóveis como carvão ou hulha nas centrais termoeléctricas, mais as temperaturas sobem – mesmo que, paradoxalmente, por vezes a instabilidade atmosférica causada pelo calor rompa a circulação dos ventos no pólo norte e faça o frio boreal descer até à península ibérica, como tem sido o caso em meados deste Janeiro de 2021.

Nem só de variações térmicas são feitas as alterações climáticas: também as chuvas mudam o seu comportamento. Nos países do Sul – assim como no Sul do nosso país – choverá menos, e essas chuvas poderão concentrar-se em poucos dias, quando houver trovoadas e tempestades severas, com bátegas fortes. Haverá estações secas mais demoradas e quentes, muito atreitas a incêndios; e haverá épocas pluviosas mais curtas, com borrascas capazes de arrastar os solos nus em torrentes de águas rápidas.

Ao católico não poderá escapar uma leitura moral destes processos causados pela ação humana.

É acertado a Humanidade desequilibrar de tal forma a Criação?

Inundações em Tasitolu, Dili, Timor Leste, 23 de janeiro de 2020. Foto EPA / ANTONIO DASIPARU
Inundações em Tasitolu, Dili, Timor Leste, 23 de janeiro de 2020. Foto EPA / ANTONIO DASIPARU

Quais as consequências destes processos não apenas para os demais seres humanos – em particular os mais pobres – como também para as demais criaturas do céu e da terra, com quem partilhamos o espaço e o tempo?

Os problemas encetados pelas alterações climáticas não são de ordem meramente técnico-científica, ou político-administrativa, ou muito menos económica: são problemas também, e porventura sobretudo, de ordem moral.

Mesmo quem seja avesso a considerações morais, por maioria de razão terá de reconhecer que perante a Natureza tudo nos é permitido – mas nem tudo nos convém.

Ao católico, porém, a dimensão moral da vida é indispensável, e por isso lhe urge discutir os aspectos éticos dos problemas ambientais contemporâneos. É o que continuaremos a fazer nesta coluna.

Foto da capa: Fábrica nos arredores de Karachi, Paquistão, onde a qualidade do ar atingiu níveis perigosamente prejudiciais à saúde. Foto EPA / SHAHZAIB AKBER

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