Agora é a hora

Rede Economia de Francisco Portugal: uma resposta portuguesa ao desafio do Papa

É agora o momento, não podemos esperar mais. Foi este o sentimento comum a muitos jovens, que em Março de 2020 viram o evento da Economia de Francisco, adiado, devido ao contexto pandémico que se instalava.

Mas porque o desafio do Papa estava lançado, não havia razões para esperar mais! Por isso, jovens de todo o mundo começaram a unir esforços para preparar esta nova Economia, tão urgente e tão necessária. Uma economia que, como nos aponta o Papa Francisco “faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a devasta”.

Em Portugal, foi criada a rede Economia de Francisco Portugal, onde jovens, profissionais, investigadores e todos aqueles que se sentem impelidos por este propósito, procuram criar oportunidades de questionar o que precisa de ser transformado no panorama vigente e atuar em prol de uma economia mais centrada no amor e no cuidado por tudo o que nos rodeia. Acreditamos que é possível criar esta economia mais humana que promove uma ecologia integral e o bem comum.

E assim, partindo do apelo do Papa e tendo São Francisco de Assis como modelo que personifica estes valores e dá o nome a esta nova Economia, começámos, há um ano, a preparar este caminho. Pela mão da ACEGE, que desde o primeiro dia promoveu e potenciou esta rede, fomos consubstanciando este percurso, através de encontros para aprofundar os principais temas que constam da encíclica Laudato Si’, onde o Papa esclarece qual a sua visão para esta nova Economia.

Jovens portugueses da Economia de Francisco participando num encontro online: Diogo B. Pereira, Rita Sacramento Monteiro, Ricardo Zózimo e Luísa Gonçalves.

Jovens portugueses da Economia de Francisco participando num encontro online: Diogo B. Pereira, Rita Sacramento Monteiro, Ricardo Zózimo e Luísa Gonçalves.

E um pouco por todo o mundo, foram surgindo iniciativas que deixavam claro que havia mais quem partilhasse da vontade de começar este trabalho. São muitos os acreditam que é possível repensar a economia como a conhecemos.

Foi por isso uma enorme alegria, participar neste evento! Na ordem do dia, estiveram temas como modelos de negócio para uma economia mais humana, a transição ecológica e social, a generatividade, bens relacionais e a economia civil. Temas que gravitavam em torno das doze aldeias sob as quais o evento estava organizado.

As 12 aldeias representam doze dimensões da economia que à primeira vista parecem paradoxais.

  1. Gestão e dádiva (Management and Gift): Qual é o propósito dos negócios? Como repensar uma gestão mais centrada na pessoa, mas com modelos sustentáveis? Há espaço para a dádiva e a gratuidade na gestão?
  2. Trabalho e cuidado (Work and Care): Qual a importância do cuidar de algo ou de alguém, na vida do Homem? Como orientamos a nossa sociedade e as nossas empresas para que todos tenhamos tempo destinado ao cuidado (dos outros, de nós próprios e da casa comum)?
  3. Finanças e Humanidade (Finance and Humanity): Será possível criar um sistema financeiro, que trabalhe para o bem comum? Quais as melhores práticas para um sistema financeiro mais justo? Como é que as finanças se podem tornar mais inclusivas?
  4. Agricultura e Justiça (Agriculture and Justice): Como podemos ligar a justiça e a agricultura de forma a preservar o planeta? Como é que os agricultores lidam com os desafios e as oportunidades em tempos de mudanças climáticas?
  5. Energia e pobreza (Energy and Poverty): É possível criar um modelo em que os mais pobres beneficiam de um sistema de energias renováveis? Como podemos usar as energias renováveis para aproximar as periferias?
  6. Gestão e Paz (Business and Peace): Como é que a atividade económica impacta nos conflitos emergentes? Pode um mercado bem ajustado ser o antídoto para os conflitos? Qual o papel das grandes empresas na paz mundial?
  7. Mulheres para a Economia (Women for Economy): Como podemos criar uma economia que realmente reconhece e acolhe as dádivas da mulher?
  8. CO2 de Desigualdades (CO2 of Inequalities): Como construir uma economia que seja regenerativa e inclusiva no seu desenho?
  9. Vocação e lucro (Vocation and Profit): Como podemos criar um tecido laboral e uma economia que ajude a que todos coloquem os seus dons a render? Como podemos medir corretamente o valor do dinheiro e do propósito?
  10. Negócios em Transição (Business in Transition): Como podemos conduzir a transformação atual, para a criação de um bem comum? Como podemos conduzir a transição digital e os frutos desta crise para aproximar as periferias?
  11. Vida e Estilos de Vida (Life and Life-style): Como combater a cultura do desperdício? Como podemos tornar as cadeias de produção mais justas? Como medimos o bem-estar?
  12. Políticas e Felicidade (Policies and Hapiness): Quais os propósitos humanos que as políticas económicas devem promover? Como podemos abandonar as metodologias baseadas no individualismo e considerar a família e outras dimensões comunitárias como agentes legítimos para a justiça social?

Fazer perguntas mais do que ter respostas

Partindo desta premissa vários grupos de jovens organizaram-se para trabalhar nestes temas procurando criar pontes e estratégias para a concretização destes temas.

Enquanto portugueses, queremos ser parte ativa desta nova economia, tornando-a possível no nosso país. Cientes do desafio que enfrentamos, percebemos a força deste movimento mundial, que se gerou em torno do desafio do Papa.

Precisamos da energia e da boa vontade de todos aqueles que se sintam chamados a trazer à prática os valores de uma economia mais inclusiva, centrada no bem comum e no amor ao próximo.

Aqueles que se queiram juntar a nós, podem acompanhar as nossas iniciativas nas redes sociais da Economia de Francisco Portugal:
https://economiadefrancisco.org/
https://www.instagram.com/economiadefrancisco_pt/
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