A vida e os dias

Não obstante o valor e o espaço que percorre nas sociedades ocidentais, a experiência humana do envelhecimento permanece ainda por refletir numa perspetiva cristã. O ênfase excessivo nas dimensões ativas da vida e na “juventude” como possível atitude colocam na sombra aquele que é, em muitas sociedades, um tempo de bênção (para si e para os outros).

É sobre esta experiência que escreve o monge italiano Enzo Bianchi. Parte do seu próprio caminho vital, dos seus “dias outonais”, colocando questões e apelos de exigente leitura:

A idade da velhice? Sim, a idade em que se adentra, como num país estrangeiro, numa terra de que conhecemos apenas algumas coisas. É necessário ter a coragem de envelhecer, porque a velhice é uma tarefa e um desafio.

Numa linguagem simples e percorrendo passos e gestos do quotidiano, A Vida e os Dias é ao mesmo tempo um elogio e uma preparação da Velhice, na qual a manutenção de uma atitude ativa na sociedade se une à aprendizagem e aprofundamento da contemplação, da sabedoria e da capacidade de escuta e de atenção, qualidades de que tanta falta sentimos. A saúde, o medo (diante da morte e diante da vida), as dificuldades no dia a dia e as atitudes necessárias de paciência e desapego agrafam-se nesta obra com o percurso da tradição bíblica e dos filósofos clássicos, com a experiência de vida numa comunidade monástica e o relato de encontros pessoais.

Começo a experimentar como a vida é difícil para os idosos, ainda que resista e lute porque quero viver a velhice: não para acrescentar dias à minha vida, mas para acrescentar vida aos meus últimos dias. Trata-se, de facto, de se preparar para a partida, fazendo os preparativos pascais.

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