Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – dia 4

Todos os dias haverá um breve momento de oração, transmitido nesta página e no Facebook, pela hora do almoço, e a publicação de um vídeo, ao fim da tarde.

Sábado 23, às 15 horas, haverá a Celebração Ecuménica Nacional, que também será transmitida em direto nos mesmos locais.

DIA 4 – 21 JAN – Orando juntos

Já não vos chamo servos… chamo-vos amigos. (Jo 15, 15)

Romanos 8, 26-27   O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza

É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos.

Lucas 11,1-4   Senhor, ensina-nos a orar

Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.» Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome;/ venha o teu Reino; / dá-nos o nosso pão de cada dia; perdoa os nossos pecados,/pois também nós perdoamos/a todo aquele que nos ofende;/e não nos deixes cair em tentação.»

Meditação: Deus tem sede de relacionamento connosco. Ele procura-nos como procurou Adão, chamando-o no jardim: “Onde estás?” (Génesis 3,9). Em Cristo, Deus vem ao nosso encontro. Jesus viveu em oração, intimamente unido a seu Pai, enquanto ia fazendo amizade com os Seus discípulos e com todos os que encontrava. Ele introduziu-os no que era mais precioso para Ele: o relacionamento de amor com o Seu e nosso Pai. Jesus e os Seus discípulos cantavam salmos juntos, enraizados na riqueza da sua tradição judaica. Em outras ocasiões Jesus retirava-se para orar sozinho. A oração pode ser solitária ou partilhada com outros. Pode expressar sensação de maravilha, de queixa, de intercessão, de agradecimento ou de simples silêncio.

Às vezes o desejo de orar está presente, mas a pessoa sente que não é capaz de o realizar. Se se voltar para Jesus e Lhe disser “ensina-me!”, o caminho pode abrir-se. O nosso próprio desejo já é uma oração. Ficarmos juntos, em grupo, oferece-nos um apoio. Através de hinos, palavras e silêncio, a comunhão é criada. Se orarmos com cristãos de outras tradições, poderemos ficar surpreendidos, ao sentirmo-nos unidos por um laço de amizade que vem d’Aquele que está para além de qualquer divisão. As formas podem variar, mas é o mesmo Espírito que nos faz estarmos juntos.

Na regularidade da nossa oração comum, o amor de Jesus desponta dentro de nós, não sabemos como. A prece comum não nos dispensa da prece pessoal. Uma sustenta a outra. Cada dia, reservemos um tempo para renovar a nossa intimidade pessoal com Jesus Cristo.

Da regra de Taizé, pp 19 e 21

Oração: Senhor Jesus, a tua vida inteira foi oração, perfeita harmonia com o Pai. Através de vosso Espírito, ensinai-nos a orar de acordo com vosso desejo de amor. Que os fiéis do mundo inteiro se unam em intercessão e louvor, e venha o vosso Reino de amor.

DIA 0 – 17 JAN – Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Permanecei no meu amor e dareis muitos frutos. (João 15,1-17)

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2021 foi preparada pela Comunidade Monástica de Grandchamp. O tema escolhido – “Permaneçam no meu amor e produzirão muitos frutos” – baseia-se em João 15,1-17. Este versículo expressa a vocação para a oração, reconciliação e unidade na Igreja e na família humana, da Comunidade de Grandchamp.

Na década de 1930 um grupo de mulheres da Igreja Reformada da Suíça de língua francesa, conhecido como “Damas de Morges”, inspiradas no exemplo de Cristo que se retirava para orar em lugares isolados, redescobriu a importância do silêncio e de retiros espirituais na escuta da Palavra de Deus. Outras pessoas seguiram o seu exemplo, participando regularmente em retiros organizados em Grandchamp, uma pequena aldeia nas margens do Lago Neuchâtel. Como nesse tempo não havia comunidades monásticas nas Igrejas da Reforma, as primeiras irmãs voltaram-se para mosteiros de outras confissões e abriram-se aos tesouros de outras tradições, encorajadas pelo abade Paul Couturier, um pioneiro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, bem como pelo Irmão Roger da comunidade ecuménica de Taizé, cuja Regra e Ofício adotaram em 1953.

Hoje a comunidade tem cinquenta irmãs, de diferentes gerações, tradições eclesiais, países e continentes. Na sua diversidade, as irmãs são uma parábola viva de comunhão. Elas permanecem fiéis a uma vida de oração, comunidade e acolhimento a visitantes e voluntários que vão a Grandchamp para um tempo de retiro, silêncio e cura, buscando o sentido de vida. Esse compromisso, aliado à fidelidade de Grandchamp aos três pilares – oração, vida comunitária e hospitalidade – está na base do conteúdo desta celebração, que é moldada em três partes, chamadas “vigílias”, um modelo usado pela comunidade.

DIA 1 – 18 JAN – Chamados por Deus

Esta semana a oferta da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reverterá a favor da associação Serve the City (servir a cidade).

Esta semana a oferta da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reverterá a favor da associação Serve the City (servir a cidade). Esta associação participa na construção de pontes entre pessoas, instituições e territórios, através de acções de voluntariado, de forma a tornarmos a Cidade mais justa, fraterna e solidária.

A Serve the City tem projectos (sempre com parceiros), projectos conjuntos, e projectos de parceiros para os quais contribuí com voluntários que levam o espírito do serviço à Cidade, do encontro e da mudança.

A Serve the City, vai ao encontro de pessoas socialmente fragilizadas, actuando nas temáticas da exclusão, da pessoa sem-abrigo, da pessoa idosa isolada, das crianças e jovens em situações de maior vulnerabilidade, da pessoa imigrante ou refugiada, etc.

Seja generoso, vamos construir justiça e bondade.

Dia 1 – 18 de janeiro de 2021 – Chamados por Deus

Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi. (João 15,16a)

Génesis 12,1-4   A vocação de Abraão

O SENHOR disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas.» Abrão partiu, como o SENHOR lhe dissera, levando consigo Lot. Quando saiu de Haran, Abrão tinha setenta e cinco anos.

João 1, 3-51   A vocação dos primeiros discípulos

André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus.  Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» – que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, o filho de João. Hás de chamar-te Cefas» – que significa Pedra.

Meditação: O começo da jornada é um encontro entre o ser humano e Deus, entre a criatura e o Criador, entre o tempo e a eternidade.

Abraão ouviu o chamamento: “Vai para a terra que eu te mostrar”. Como Abraão, somos chamados a deixar o que é familiar e a ir para o lugar que Deus preparou no mais fundo do nosso coração. Nesta caminhada tornamo-nos, ao sermos cada vez mais nós mesmos, o povo que Deus queria que fôssemos desde o começo. Atendendo a esse chamamento que nos foi dirigido, tornamo-nos uma bênção para aqueles que amamos, para os nossos próximos e para o mundo.

O amor de Deus procura-nos. Deus tornou-se humano em Jesus. Nele encontramos o olhar persistente de Deus. Nas nossas vidas, como no Evangelho de João, o chamamento de Deus é ouvido de diferentes modos. Tocados pelo Seu amor, seguimos em frente. Nesse encontro, caminhamos por um caminho de transformação – o brilhante começo de um relacionamento de amor que se renova sempre.

Um dia compreendeste que, sem estares ciente disso, um sim tinha sido inscrito na tua mais profunda interioridade. E, assim, escolheste seguir as pegadas de Cristo…. Em silêncio, na presença de Cristo, O ouviste dizer: “Vem, segue-Me! Eu te darei um lugar onde repousar o teu coração.

As fontes de Taizé (2000), p.52

Oração: Jesus Cristo, Tu procuras-nos, desejas oferecer-nos a Tua amizade e conduzir-nos a uma vida cada vez mais plena. Concede-nos a confiança de respondermos ao Teu chamamento para sermos transformados e nos tornarmos testemunhas da Tua ternura no mundo.

DIA 2 – 19 JAN – Amadurecendo interiormente

Permanecei em mim como eu permaneço em vós. (João 15,4a)

Efésios 3,14-21   Cristo habite em vossos corações

É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra:  que Ele vos conceda, de acordo com a riqueza da sua glória, que sejais cheios de força, pelo seu Espírito, para que se robusteça em vós o homem interior; que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações; que estejais enraizados e alicerçados no amor… (extrato)

Lucas 2,41-52   Maria guardava todos estes acontecimentos no seu coração

(…) Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas.
Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. (extrato)

Meditação: O encontro com Jesus desperta o desejo de ficar com Ele e permanecer n’Ele: um tempo para o fruto amadurecer. Sendo totalmente humano como nós, Jesus cresceu e amadureceu. Ele viveu uma vida simples, enraizada nas práticas da fé judaica. Na Sua vida oculta em Nazaré, onde aparentemente nada de extraordinário aconteceu, a presença do Pai alimentou-O. Maria contemplava as ações de Deus na sua vida e na de seu Filho. Ela valorizava todas essas coisas no seu coração. Assim, aos poucos, ela abraçou o mistério de Jesus.

Nós também precisamos de um longo período de maturação, uma vida inteira, para podermos mergulhar nas profundidades do amor de Cristo, para deixar que Ele permaneça em nós e nós permaneçamos n’Ele. Sem sabermos como, o Espírito faz Cristo morar nos nossos corações. E é através da oração, escutando a Palavra, partilhando com os outros, pondo em prática o que compreendemos, que o nosso ser interior é fortalecido.

Deixando Cristo descer às profundidades do nosso ser… Ele penetrará as regiões da mente e do coração, Ele atingirá a nossa carne até ao nosso mais profundo ser, para que nós também experimentemos um dia as profundidades da misericórdia.

As fontes de Taizé (2000), p. 134

Oração: Espírito Santo, concede-nos a graça de recebermos nos nossos corações a presença de Cristo e valorizarmos isso como um segredo de amor. Alimenta a nossa prece, ilumina a nossa leitura das Escrituras, age através de nós, para que os frutos dos Teus dons possam pacientemente crescer em nós.

Dia 3 – 20 JAN – Formando um só corpo

Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. (João 15, 12b)

Colossenses 3,12-17   Revesti-vos de compaixão

Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, fazei-o vós também. 

João 13,1-15; 34-35   Amai-vos uns aos outros

Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: “Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.”

Meditação: Na véspera da Sua morte, Jesus ajoelhou-Se para lavar os pés aos discípulos. Ele conhecia a dificuldade de viver em conjunto e a importância do perdão e do serviço mútuo. E disse a Pedro: “Se Eu não te lavar, não poderás ter parte comigo”. Pedro recebeu Jesus a seus pés. Ele foi lavado e tocado pela humildade e delicadeza de Cristo. Mais tarde, seguiria o exemplo de Jesus e serviria os companheiros fiéis da Igreja nascente.  

Jesus deseja que a vida e o amor circulem através de nós como a seiva na videira, para que as comunidades cristãs sejam um só corpo. Mas, hoje como no passado, não é fácil vivermos juntos. Somos frequentemente colocados diante das nossas limitações. Às vezes falhamos deixando de amar aqueles que estão perto de nós numa comunidade, paróquia ou família. Há situações em que os nossos relacionamentos se quebram completamente. Em Cristo somos convidados a revestir-nos de compaixão, em incontáveis recomeços. O reconhecimento de sermos amados por Deus impele-nos a acolhermo-nos uns aos outros com as nossas forças e fraquezas. É então que Cristo está no meio de nós.

Com quase nada, és um criador de reconciliação nessa comunhão de amor, que é o Corpo de Cristo, a Sua Igreja? Sustentado por um momento partilhado, alegra-te! Já não estás sozinho. Em todas as coisas avanças juntamente com os teus irmãos e irmãs. Com eles, és chamado a viver a parábola da comunidade.

As fontes de Taizé (2000), pp. 48-49

Oração: Deus, nosso Pai, Tu revelas-nos o Teu amor, através de Cristo e através dos nossos irmãos e irmãs. Abre os nossos corações para nos acolhermos uns aos outros com as nossas diferenças e vivermos em clima de perdão. Faz-nos viver unidos num só corpo, para que venha à luz o dom que é cada pessoa. Que, juntos, possamos todos ser um reflexo de Cristo vivo.

Dia 4 – 21 JAN – Orando juntos

“Já não vos chamo servos… chamo-vos amigos” (João 15,15)

Romanos 8,26-27   O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza

É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos.

Lucas 11,1-4   Senhor, ensina-nos a orar

Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.» Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome;/ venha o teu Reino; / dá-nos o nosso pão de cada dia; perdoa os nossos pecados,/pois também nós perdoamos/a todo aquele que nos ofende;/e não nos deixes cair em tentação.»

Meditação: Deus tem sede de relacionamento connosco. Ele procura-nos como procurou Adão, chamando-o no jardim: “Onde estás?” (Génesis 3,9). Em Cristo, Deus vem ao nosso encontro. Jesus viveu em oração, intimamente unido a seu Pai, enquanto ia fazendo amizade com os Seus discípulos e com todos os que encontrava. Ele introduziu-os no que era mais precioso para Ele: o relacionamento de amor com o Seu e nosso Pai. Jesus e os Seus discípulos cantavam salmos juntos, enraizados na riqueza da sua tradição judaica. Em outras ocasiões Jesus retirava-se para orar sozinho. A oração pode ser solitária ou partilhada com outros. Pode expressar sensação de maravilha, de queixa, de intercessão, de agradecimento ou de simples silêncio.

Às vezes o desejo de orar está presente, mas a pessoa sente que não é capaz de o realizar. Se se voltar para Jesus e Lhe disser “ensina-me!”, o caminho pode abrir-se. O nosso próprio desejo já é uma oração. Ficarmos juntos, em grupo, oferece-nos um apoio. Através de hinos, palavras e silêncio, a comunhão é criada. Se orarmos com cristãos de outras tradições, poderemos ficar surpreendidos, ao sentirmo-nos unidos por um laço de amizade que vem d’Aquele que está para além de qualquer divisão. As formas podem variar, mas é o mesmo Espírito que nos faz estarmos juntos.

Na regularidade da nossa oração comum, o amor de Jesus desponta dentro de nós, não sabemos como. A prece comum não nos dispensa da prece pessoal. Uma sustenta a outra. Cada dia, reservemos um tempo para renovar a nossa intimidade pessoal com Jesus Cristo.

Da regra de Taizé, pp 19 e 21

Oração: Senhor Jesus, vossa vida inteira foi oração, perfeita harmonia com o Pai. Através de vosso Espírito, ensinai-nos a orar de acordo com vosso desejo de amor. Que os fiéis do mundo inteiro se unam em intercessão e louvor, e venha o vosso Reino de amor.

Dia 5 – 22 JAN – Deixando-se transformar pela Palavra

“Vós já estais purificados pela Palavra” (João 15,3)

Deuteronómio 30,11-20   A palavra de Deus está bem perto de ti

Na verdade, esta Lei, que hoje te prescrevo, não é muito difícil para ti nem está fora do teu alcance. Não está no céu, para se dizer: ‘Quem subirá por nós até ao céu e no-la irá buscar para a escutarmos e praticarmos?’ Não está tão pouco do outro lado do mar, para se dizer: ‘Quem atravessará o mar e no-la irá buscar para a escutarmos e praticarmos?’ A Lei está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares.» (extrato)

Mateus 5,1-12   Felizes sois vós

Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. 2Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. / Felizes os que choram, porque serão consolados. / Felizes os mansos, porque possuirão a terra. / Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. / Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. / Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. / Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. / Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.» (extrato)

Meditação: A Palavra de Deus está muito perto de nós. É uma bênção e uma promessa de felicidade. Se abrirmos os nossos corações, Deus fala connosco e, pacientemente, transforma o que está a morrer em nós. Ele remove o que prejudica o verdadeiro crescimento da vida, exatamente como o vinhateiro poda a videira.

Meditando regularmente sobre um texto bíblico, sozinhos ou em grupo, mudamos a nossa atitude de vida. Muitos cristãos oram a partir das bem-aventuranças todos os dias. As bem-aventuranças revelam-nos uma felicidade que está escondida no que é incompleto, uma felicidade que vai para além do sofrimento: abençoados são aqueles que, tocados pelo Espírito, deixam de reter as suas lágrimas e as deixam rolar e, assim, recebem consolação. À medida que descobrem uma fonte de bem, escondida dentro da sua paisagem interior, a fome de justiça e a sede de unidade com os outros na construção de um mundo de paz crescem dentro deles.

Somos constantemente chamados a renovar o nosso compromisso com a vida, através dos nossos pensamentos e ações. Há ocasiões em que já provamos, aqui e agora, a bênção que será completada no fim dos tempos.

Orai e trabalhai para que Deus venha reinar. Ao longo dos vossos dias deixai a Palavra de Deus soprar vida no vosso trabalho e no vosso descanso. Mantende silêncio interior em todas as coisas para morardes em Cristo. Enchei-vos do espírito das bem-aventuranças: alegria, simplicidade, misericórdia.

Estas palavras são recitadas diariamente pelas Irmãs da Comunidade de Grandchamp

Oração: Bendito és Tu, Deus nosso Pai, pelo dom da Tua Palavra na Sagrada Escritura. Bendito és Tu, Senhor, pelo Teu poder transformador. Ajuda-nos a escolher a vida e guia-nos com o Teu Espírito, para que possamos experimentar a felicidade que tanto queres partilhar connosco.

Dia 6 – 23 JAN – Dia das Celebrações – Acolhendo os outros

“Ide produzir frutos, frutos que permaneçam” (João 15,16b)

Gênesis 18,1-5 – Abraão acolheu os anjos no carvalho de Mambré

Marcos 6,30-44 – Jesus tem compaixão da multidão

Meditação

Quando nos deixamos transformar por Cristo, seu amor em nós cresce e produz fruto. Acolher o outro é um modo concreto de partilhar o amor que está em nós.

Ao longo de sua vida, Jesus acolheu aqueles que encontrou. Ele os ouviu e se deixou ser tocado por eles sem ter medo do seu sofrimento.

No relato evangélico da multiplicação dos pães, Jesus é movido por compaixão ao ver a multidão faminta. Ele sabe que a pessoa humana inteira precisa ser nutrida, e que ele sozinho pode verdadeiramente satisfazer a fome de pão e a sede de vida. Mas ele não deseja fazer isso sem seus discípulos, sem aquela pouca coisa que eles lhe podem dar: cinco pães e dois peixes.

Ainda hoje ele nos chama para sermos colaboradores no seu cuidado incondicional. Às vezes algo pequeno, como um olhar bondoso, um ouvido aberto ao outro, ou nossa presença é suficiente para fazer uma pessoa se sentir acolhida. Quando oferecemos nossas pobres habilidades a Jesus, ele as usa de modo surpreendente.

Então experimentamos o que aconteceu com Abraão, porque é dando que recebemos, e quando acolhemos outros somos abundantemente abençoados.

É o próprio Cristo que recebemos num hóspede.

A regra de Taizé em francês e inglês (2012), p. 103

As pessoas que acolhemos dia após dia encontrarão em nós homens e mulheres radiantes em Cristo, nossa paz?

As fontes de Taizé (2000), p. 60

Oração: Jesus Cristo, queremos acolher plenamente os irmãos e irmãs que estão conosco.
Sabeis como frequentemente nos sentimos incapazes diante do seu sofrimento, ainda assim, estais sempre lá à nossa frente e já os tendes recebido em vossa compaixão. “Falai a eles através de nossas palavras, ajudai-os através de nossas ações, e deixai que vossa bênção repouse sobre todos nós.

Dia 7 – 24 JAN – Crescendo na Unidade

“Eu sou a videira, vós os ramos” (João 15,5a)

1 Coríntios 1, 10-13   Porventura está Cristo dividido?

Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, (…) permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado (…), que há discórdias entre vós. Refiro-me ao facto de cada um dizer: «Eu sou de Paulo», ou «Eu sou de Apolo», ou «Eu sou de Cefas», ou «Eu sou de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes batizados em nome de Paulo?

João 17,20-23   Que sejam um como Nós somos um

Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em Mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a Mim.

Meditação: Na véspera da Sua morte, Jesus orou pela unidade daqueles que o Pai Lhe dera: “que todos sejam um… para que o mundo creia”. Unidos a Ele, como ramos na videira, partilhamos a mesma seiva que entre nós circula e nos revitaliza.

Cada tradição procura levar-nos ao coração da nossa fé: a comunhão com Deus, através de Cristo, no Espírito. Quanto mais vivermos essa comunhão, mais estaremos ligados a outros cristãos e a toda a humanidade. Paulo adverte-nos contra uma atitude que já havia ameaçado a unidade dos primeiros cristãos: a absolutização da tradição própria de cada um, em detrimento da unidade do corpo de Cristo. As diferenças de então tornaram-se fonte de divisão em vez de serem mutuamente enriquecedoras. Paulo tem uma visão bem mais ampla: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1 Cor 3,22-23).

O desejo de Cristo compromete-nos a seguir um caminho de unidade e reconciliação. Também nos compromete a unir a nossa prece à d’Ele: “que sejam um… a fim de que o mundo creia” (Jo 17,21).

Nunca te conformes com o escândalo da separação de cristãos que muito prontamente professam amor ao próximo e, entretanto, permanecem divididos. Faz da unidade do corpo de Cristo a tua apaixonada preocupação.

A Regra de Taizé, p. 13

Oração: Espírito Santo, chama vivificante e sopro delicado, vem e permanece em nós. Renova em nós a paixão pela unidade para que vivamos conscientes do laço que, em Ti, nos une. Que todos os que se ligaram a Cristo no seu Batismo estejam unidos e, juntos, deem testemunho da esperança que os sustenta.

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