A cultura do cuidado

A cultura do cuidado, como “compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos” e como “disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco”, constitui um caminho privilegiado para a construção da paz, para erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer”.

É isso que o Papa Francisco propõe na Mensagem dirigida a todos os homens e mulheres de boa vontade por ocasião do 54º Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco lembra a todos o que já escreveu na Carta encíclica Fratelli Tutti (Todos Irmãos):

É necessário desenvolver em vários lugares do mundo processos de paz que levem à pacificação; são necessários «artesãos de paz» dispostos a escrever uma nova página da história, uma página cheia de esperança, cheia de paz, cheia de reconciliação.

Por isso, o Papa convida todos a tornar-se profetas da cultura do cuidado, para colmatar as inúmeras desigualdades sociais. E aponta para dois elementos indispensáveis para que o barco, no qual nos encontramos todos, possa chegar a bom fim: o “leme da dignidade da pessoa humana” e a “bússola dos princípios sociais fundamentais”.

A mensagem do Papa coloca-se na continuidade de um ensino e de uma pregação que, de forma apaixonada e interpeladora, pretende chamar a atenção sobre a necessidade de dar um novo rumo à nossa existência. Não podemos continuar assim – afirma o Papa – porque corremos o risco de afundar o barco no qual navegamos e de irmos ao encontro de uma tragédia de proporções inimagináveis.

A mensagem não pretende anunciar catástrofes, mas é um alerta: estamos a estragar o tesouro que temos, estamos a deturpar a obra da criação que recebemos, estamos a tornar a nossa vida complicada, injusta e infeliz. É preciso, portanto, uma nova forma de estar e de viver; é preciso uma nova política, uma nova economia e, também, uma nova forma de ser igreja!

Todos somos indispensáveis na construção deste novo mundo e ninguém pode auto-excluir-se.
O diálogo e a co-responsabilidade devem constituir os carris do comboio no qual viajamos, certos de que o “maquinista” que nos foi dado (o Emanuel – Deus connosco) nunca nos deixará sós nesta aventura.

Um novo ano começou sem festejos e sem loucuras… Mas, como diz a sabedoria popular, nem todo o mal vem para nos causar mal. A pandemia que ainda estamos a viver, obriga-nos a refletir e a discernir. Oxalá saibamos percorrer os novos caminhos, despertando para uma nova esperança, nova vida!

Para todos, um abraço de paz e bem.

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