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O fio de prumo dos santos

A Palavra de Deus

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-se.
Rodearam-no os discípulos e Ele começou ensiná-los, dizendo:
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor de justiça, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa.

Mt 5, 1-12

A palavra de Santo António

“Quando vier o Paráclito, ele convencerá o mundo quanto ao pecado que tem, quanto à justiça, que não tem e quanto ao juízo que não teme” (Jo16, 8).

Convencerá o mundo quanto à justiça dos santos. Daí a palavra do Senhor pela boca de Zacarias: “O fio de prumo será estendido sobre Jerusalém” (Zc 1,16). O fio de prumo é instrumento do pedreiro. Vem do vocábulo latino perpendo, perpendis, que significa pesar com rigor. É pedra ou chumbo ligado a um fio para se verificar se as paredes estão perpendiculares. A justiça dos santos é como um fio de prumo estendido sobre Jerusalém, isto é, sobre qualquer alma fiel, para que informe e meça a sua vida com o exemplo daqueles.

Sempre que se celebram as festas dos santos, aplica-se à vida dos pecadores o fio de prumo. Celebramos por isso as suas festas para apreendermos o modelo da sua vida. É ridículo, portanto, querer honrar os santos, nas suas solenidades, com banquetes, sabendo nós que subiram ao céu por meio de jejuns. Se, pois, ao amar o mundo e a sua glória, ao nutrir a carne com delícias, ao juntar dinheiro, não imitarmos a vida dos santos, a sua justiça comprovará que devemos ser condenados.

Sermões de Santo António, Quarto domingo depois da Páscoa

Aprofundemos

Tomamos nota, antes de mais, que, no seu ensinamento, Santo António sabe colher imagens da vida quotidiana; no nosso caso, das ferramentas do pedreiro.

De facto, segundo a definição dada pelo Papa Francisco, “a santidade nada mais é do que a caridade vivida plenamente, na medida da própria estatura da caridade de Cristo”. Jesus Cristo: Ele é a unidade de medida. Ele é “o pedreiro” que com o fio de prumo mede se a nossa vida está em conformidade, bem alinhada com as paredes perpendiculares da casa do seu Evangelho.

O Papa Francisco parece captar essa lição quando afirma que os santos, com os seus vários modelos de vida e as suas virtudes, nos oferecem obras primas de amor e dedicação na família, no trabalho, no empenho da sua profissão, no seu relacionamentos com os outros. A reflexão de António lembra-nos, também, essa realidade. Os santos são tais, não porque os veneramos nos altares ou celebramos a sua festa, mas porque souberam dar o máximo da sua fé, da sua esperança e do seu amor. E seria injusto venerá-los se, depois, voltamos aos nossos maus hábitos. Mais uma vez, o Papa Francisco, na sua Exortação Gaudete et exultate, oferece-nos um amplo panorama de modelos com os quais medir, como com o fio de prumo, a retidão da nossa própria vida. Eis – diz-nos – o que se deve fazer para imitar os santos e para não sermos julgado por Deus, se não nos conformarmos com a palavra de ordem entregue ao seu povo: “Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2).

Foto da capa: Painel na Basílica da Santíssima Trindade, Fátima. Foto MSA 2011.

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