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Fratelli Tutti – caminhamos juntos como irmãos e irmãs

O Papa Francisco assinou ontem, 3 de Outubro, em Assis, a sua terceira encíclica, Fratelli Tutti (Todos Irmãos). Poucas horas depois, decorria, em Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz, +1 Diálogos com António 2020, sobre o tema Tempo da Criação.

Diálogos com António 2020: Tempo da Criação, Video conferência.
Diálogos com António 2020: Tempo da Criação, Video conferência.

Embora ainda não conhecido o conteúdo da Fratelli Tutti , Silvia Monteiro desafiou os convidados a dizer-nos o que é que esta encíclica virá mudar na sociedade e na Igreja.

“Penso que é mais um apelo do Papa Francisco inspirado em São Francisco de Assis e que reforça, sem dúvida, o apelo já feito na Laudato Si’”, começou por nos dizer Adelaide Theotonio. “As duas encíclicas começam com as palavras de São Francisco de Assis e se me permitem eu vou citar uma parte do parágrafo 92 da Laudato Si’: Tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa entrelaçados pelo amor que cada Deus tem a cada uma das suas criaturas e que nos une também com terna afeição ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à mãe Terra. Será, portanto, inspirado em São Francisco que o Papa nos oferece mais esta encíclica”.

A Luísa Gonçalves continuou dizendo “Confesso que este tema me é muito caro. Hoje em dia vivemos numa altura em que as opiniões estão super polarizadas. Por vezes parece que é a Igreja e os católicos contra o resto do mundo e esquecemos o principal e mais importante mandamento de Jesus “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. Este amor à moda de Jesus, não romanceado, amor que dá a vida, que se sacrifica ou seja torna santo e torna sagrado. Deus criou nos todos irmãos e é preciso que nós Igreja nos lembremos disso continuamente e sejamos os principais agentes desta amizade social, no fundo, voltar à pobreza e à simplicidade que tinha São Francisco de Assis, recentrar o coração do homem no que realmente importa e ajudar a devolver ao mundo a esperança. E que ninguém se esqueça daquilo que foi o principal ensinamento desta pandemia: estamos todos ligados. Ninguém deve sofrer sozinho, ninguém se deve alegrar sozinho, somos todos filhos de Deus, com esta ligação fraternal que é muito mais forte que esta ligação de coincidirmos no mundo todos aos mesmo tempo. Acho que apelando para esta fraternidade e esta amizade social, o Papa Francisco nos renova um desafio principal que parece tão simples e óbvio, mas que muitas vezes se tem esquecido”.

E o Pe. Paulo Suess recorda-nos que “na Fratelli Tutti tem coincidência uma palavra de Francisco com uma palavra do Evangelho. Em Mateus 23, 8 nós lemos um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos. É palavra do Evangelho: todos vós sois irmãos. Diante das sombras de um mundo fechado, dos gritos dos pobres e dos fragilizados, Fratelli Tutti, parece a nona sinfonia de Francisco, como a de Beethoven, ela dá voz a muitos caminhos de esperança e à necessidade de dar voz ao sofrimento e à condição do anúncio da verdade do Evangelho e da reconciliação da humanidade. Essa reconciliação é possível pela solidariedade e o diálogo, sobretudo pelo diálogo entre as religiões que sabem que somos todos irmãos e imãs, porque somos filhos e filhas de Deus. Então eu vou pegar essa palavra da Adelaide, unidos contra o desperdício. Viva São Francisco!”.

“Eu não li ainda a Encíclica”, diz-nos Pedro Bingre do Amaral, “só amanhã é que é publicada, mas desde logo o título é muito sugestivo e permite-nos intuir qual é o eixo condutor. E é um título belíssimo Fratelli Tutti, é um título muito católico, no sentido de universal. E de facto, é esse o pensamento que nós precisamos para resolver estas crises ambientais. Restaurar um sentimento de fraternidade, por um lado fraternidade com a natureza, com toda a criação, estendermos a nossa ética para a natureza e tratarmos a natureza como nossa irmã, mas também, por outro lado, para nos fazer ver a necessidade de largarmos esta corrida louca pela acumulação e pela ostentação e, já agora, pelo menosprezo dos nossos irmãos que calha não conseguirem acumular tantas riquezas inúteis, que calha estarem a passar na miséria. Temos de superar isso com grande dose de humildade e de fraternidade. Aguardo com expectativa a mensagem que aí virá”.

E a Sílvia Monteiro concluiu: “Que mundo queremos deixar aos nossos filhos, qual a pegada que queremos deixar nesta curta passagem pela Terra, o que estamos disponíveis a mudar. Saibamos então contemplar e cuidar da nossa casa comum. O futuro depende de cada um de nós”.

A carta do Papa sobre a fraternidade e a amizade social será divulgada hoje, domingo, dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, após a oração do Angelus, na Praça de São Pedro.

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