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Economia de Francisco entregue em boas mãos

A economia de Francisco é um encontro promovido pelo Papa Francisco, em Novembro de 2020, na cidade italiana de Assis, terra natural de S. Francisco. Este encontro global de mais de 2000 jovens juntará economistas, investigadores e empreendedores sociais para que, trabalhando em conjunto, consigam repensar os modelos económicos atuais, sonhando e imaginando uma economia alicerçada em princípios humanos e ambientais.

Um produto natural da Encíclica Laudato Si’, que fez recentemente 5 anos da sua publicação, o convite para participar neste encontro em Assis tem na sua base três princípios fundamentais propostos pelo Papa na carta convite aos participantes.

O primeiro principio é que consigamos imaginar e pôr em prática uma economia que, respeitando o contexto natural, seja uma economia regeneradora ambientalmente, que tenha um foco sincero na regeneração da casa comum. O segundo principio é que os modelos económicos imaginados em Assis sejam verdadeiramente inclusivos, podendo funcionar para todos, mas sobretudo que possam ser transformadores das vidas dos mais pobres. Por último, o Papa quer pôr a responsabilidade de fazer funcionar estes novos modelos económicos nas mãos dos jovens. Quer que sejam eles os principais protagonistas desta mudança de paradigma.

Quem acompanha o pensamento do Papa Francisco não ficará surpreendido com este último princípio, pois, uma das primeiras medidas do Papa foi trazer de Buenos Aires para o Vaticano a Fundação Scholas Occurrentes. Esta fundação é especialista em dar aos jovens as ferramentas e motivação para a resolução de problemas complexos da sociedade em que vivemos e tem várias intervenções de sucesso ao nível global. Apesar de não ser surpreendente, esta escolha pelos jovens como protagonistas de tamanha façanha – mudar os sistemas económicos mundiais – gera ainda alguma incompreensão. Será que o encontro trará os frutos desejados ao dar este protagonismo de uma forma propositada e sentida aos jovens? Estaremos nós em boas mãos?

Arriscando desvendar já o meu argumento, tenho hoje para mim que sim, que na realidade dar o protagonismo aos jovens é a única forma de fazer com que este encontro resulte. Mais, é a única forma de conseguir uma mudança sólida e contextual. Uma mudança de escala global, mas que ao mesmo tempo respeite os princípios humanos, sociais e ambientais de cada local e das suas estruturas económicas.

As soluções disruptivas e criativas
virão seguramente do contacto intimo
entre estas três dimensões dos sistemas económicos:
os que pensam,
os que investigam
e os que aplicam no terreno.

Mas poderão perguntar de donde me vem tanta certeza? Que sinais vejo eu que esta é uma escolha acertada? O primeiro sinal é o conjunto variado de jovens que foi convidado. O Papa não convidou quaisquer jovens. Convidou uma mistura de economistas, investigadores e empreendedores sociais, reconhecendo que a mudança tem de ser feita a vários níveis. Assim, o Papa e os organizadores do encontro reconhecem que as soluções disruptivas e criativas virão seguramente de um contacto intimo entre estas três dimensões dos sistemas económicos: os que pensam, os que investigam e os que aplicam no terreno. Não tenho dúvida que esta combinação vai produzir grande mudança.

O segundo sinal que me parece importante realçar é que, dando responsabilidade aos jovens, estamos igualmente a pedir-lhes que sejam atores ativos e comprometidos no desenho dos sistemas económicos que regularão as suas próprias vidas. Não só asseguramos continuidade no desenho de soluções, mas igualmente empoderamos quem tem mais interesse na sustentabilidade de sistemas económicos, ambientais e sociais. Claramente os jovens beneficiarão de soluções bem criadas e serão penalizados se deixarem que as soluções geradas não sejam suficientemente inovadoras e benéficas. Assim, dar a responsabilidade a quem tem potencial beneficio parece-me não só adequado, mas também sábio.

Por último, os jovens são aqueles que estarão potencialmente mais bem preparados para criar soluções económicas aliando uma forte componente digital com a necessidade de respostas mais humanas e ambientais. Claramente os novos modelos económicos terão que considerar (e quiçá em algumas dimensões regular) a influência da tecnologia na nossa vida e nos ecossistemas económicos. Penso que os jovens serão aqueles que melhor poderão encontrar os equilíbrios certos para que o digital possa construir um mundo que regenera e se posiciona como mais inclusivo. Este é um ponto fundamental para o sucesso do encontro. Que as respostas construam futuro e que não se limitem a reparar erros do passado.

Por tudo isto, penso e sinto que estamos em excelentes mãos com os jovens convidados para o encontro. Para os cerca de 50 jovens portugueses que participarão, em Assis, em Novembro, apenas prometo apoiar as vossas ideias e estar presente quando precisarem de as implementar de volta aqui em Portugal.
Até já.

Encontro A Economia de Francisco

A iniciativa adiada devido ao COVID-19, está agora agendada para 19 a 21 de novembro reunindo mais de dois mil jovens com menos de 35 anos, provenientes de 115 países, incluindo 50 de Portugal.

Na carta convite dirigida a jovens economistas, empreendedores e empresários do mundo inteiro, o Papa Francisco explica que Assis é o lugar apropriado para inspirar uma nova economia, pois foi ali que Francisco se despojou de todo o mundanismo para escolher Deus como bússola da sua vida, tornando-se pobre com os pobres e irmão de todos.

O Papa Francisco convida os jovens a fazer um pacto, no espírito de São Francisco, a fim de que a economia de hoje e de amanhã seja mais justa, fraterna, sustentável e com um novo protagonismo de quem hoje é excluído.

Foto da capa: Estudantes portugueses associados ao movimento “Greve à Escola pelo Clima”, exibem uma faixa onde se lê “A Terra Esgotou A sua Paciência – E Nós Também” durante uma manifestação para exigir que a crise climática seja uma prioridade governamental, Lisboa, 15 de março de 2019. Foto António Pedro Santos/LUSA.

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