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Levo no meu corpo as marcas de Jesus

A Palavra de Deus

Irmãos:
Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
Pois nem a circuncisão vale alguma coisa nem a incircuncisão, mas sim a nova criação.
Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus.
De agora em diante ninguém mais me venha perturbar, pois eu levo no meu corpo as marcas de Jesus.
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso Espírito, irmãos! Amen.

Gal 6, 14-18

A palavra de Santo António

“Herodes, com os seus guardas, desprezou-o e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa” (Lc 23,11).

O Pai vestiu o seu Filho Jesus com uma veste branca, de carne limpa de toda a mancha de pecado, tomada duma Virgem Imaculada e Herodes fez escárnio dele vestindo-o assim.
Infelizmente, o mesmo se passa, também, nos nossos dias!

Herodes significa o hipócrita, que se gloria duma vida exterior, cuidando da pele, quando “toda a glória da filha do Rei celeste, a alma, está no interior” (Sal 44,14).
Herodes despreza e faz troça de Jesus: despreza Jesus quem prega o Crucificado e não traz as marcas do Crucificado. Quantos hoje se deixam apanhar pela glória de estilo herodiano!

“O meu espírito é doce e a minha herança mais suave do que o favo de mel” (Sir, 24,27).

O espírito do Senhor é o espírito de pobreza: um espírito poderoso que não vacila na prosperidade ou na adversidade…

A herança do Senhor foi a Paixão da cruz, legada aos seus filhos quando disse: “Fazei isto em memória de mim”, em memória da minha Paixão (Lc 22,19).

O Apóstolo, como herdeiro, possuía esta herança, quando afirmava: “Levo no meu corpo as marcas de Cristo” (Gal 6,17).

O espírito de pobreza e a herança da Paixão são mais doces do que o mel e o favo no coração do verdadeiro amante.

Domingo da Quinquagésima

Aprofundemos

As marcas da Paixão de Jesus estão presentes na vida e nos sermões de Santo António por meio das figuras do apóstolo Paulo e de Francisco de Assis. Do primeiro, ele aprendeu a não buscar outra glória ou motivo de orgulho, a não ser em Cristo crucificado, escolhido, seguido e imitado até levar as marcas da paixão gravadas na própria carne, como um sinal de pertença.

António, como recordamos na ocasião do oitavo centenário da sua entrada na Ordem Franciscana, escolheu o mesmo programa de Paulo. Ao Frei Graziano, ministro provincial da Romagna, ele declara “querer conhecer, desejar e abraçar apenas Cristo, e Cristo crucificado” (Assídua, 7,3).

De Francisco, António admirou o amor à Cruz, quando apareceu aos frades reunidos no capítulo de Arles, com as marcas dos estigmas, enquanto ele próprio pregava sobre o dístico afixado no cimo da cruz: “Jesus de Nazaré, rei dos Judeus”.

Nos Sermões de António, a referência aos estigmas aparece quatro vezes, no admirável comentário dos suplícios da Paixão (domingo de Quinquagésima). Para lembrar que a mais bela herança que Cristo nos deixou é a memória da sua Paixão, todas as vezes que celebramos a Eucaristia (5º domingo da Páscoa). Quando apresenta Jesus vestido com uma capa vistosa, é como se dissesse que, na nossa forma de viver, não deve haver separação entre a roupa exterior e as convicções interiores (19º Domingo após o Pentecostes).

E, finalmente, convida-nos a curar as marcas da avareza, da vaidade e da luxúria e a partilhar a carne crucificada de Cristo que dá nova vida: “Olha, a tua vida está diante de ti. Espelha-te nesta vida. Vê como as tuas chagas são mortais. Fixa os olhos e o coração naquele que, só Ele, pode dar-te a vida. (Exaltação da Santa Cruz)

Foto da capa: São Francisco recebe os estigmas. Igreja de São Francisco, Guimarães. Foto MSA 2012.

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