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Celebração jubilar com a família franciscana, em Santa Cruz

2 de agosto – Perdão de Assis

Rui Jorge Silva

Temos a graça de este ano celebrarmos o martírio dos primeiros santos franciscanos e da vocação franciscana de um jovem que se veio a tornar um dos maiores santos: Santo António!

É uma honra para toda a Ordem Franciscana contar com tão grandes santos. É justo e louvável que o epicentro destas celebrações e comemorações fosse Coimbra! É justo, porque é lá que ainda temos os sinais desta memória: a Igreja de Santa Cruz, as relíquias dos Mártires de Marrocos, o Convento de Santo Antão dos Olivais (hoje, Santo António dos Olivais). É louvável, porque a Diocese de Coimbra decidiu abraçar e dinamizar estas Celebrações Jubilares, reconhecendo a importância destes exemplos de santidade para a Igreja Universal.

Mas celebrar e fazer memória do passado também traz responsabilidades, especialmente, para os franciscanos. Se os Mártires de Marrocos e Santo António são exemplo, então nós enquanto franciscanos – no tempo e no espaço em que vivemos – temos o dever de conformar a nossa vocação e a nossa vida à herança que recebemos e a obrigação de, com a nossa vocação e a nossa vida, sermos exemplo e fermento para a Igreja e para a sociedade.

A pandemia veio afetar muito as celebrações que estavam preparadas. Mas, no meio desta adversidade, também podemos encontrar um sinal profético de Deus, empurrando-nos a encontrar novas formas de aprofundamento vocacional, novos meios de evangelização, novas estratégias de comunicação para chegar a todos (conhecidos ou desconhecidos, crentes ou não-crentes).

A Família Franciscana Portuguesa tinha previsto celebrar esta efeméride a 25 de abril, em Coimbra, seguindo a proposta do itinerário jubilar; não foi possível realizá-lo fisicamente devido às restrições de circulação das pessoas nessa altura. A Comissão da Pastoral também trabalhou ao longo do ano de forma a dar ênfase a este ano antoniano. Foram criados cadernos de formação para serem trabalhados pelos movimentos juvenis de inspiração franciscana.

Este caminho culminou no dia 2 de agosto no qual se congregaram os movimentos juvenis no canal do YouTube da Pastoral Juvenil da Família Franciscana Portuguesa. O programa do dia dedicado aos Mártires de Desejo contou com uma conferência virtual de Frei Fabrizio Bordin, OFMConv dedicada ao tema “Santo António, o homem, o frade, o Santo” e, simultaneamente evocando o Dia do Perdão de Assis, com testemunhos e iniciativas dos jovens.

O encerramento deste dia foi marcado pela Eucaristia presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, na Igreja de Santa Cruz, onde esteve presente uma pequena representação da Família Franciscana. Ressoam ainda as suas palavras: a Igreja precisa e conta com o exemplo, testemunho e vida dos franciscanos, da mesma forma que contou com os exemplos dos Mártires de Marrocos e de António.

Hoje, talvez mais que nunca, estamos a ser interpelados pelas circunstâncias a trocar aquilo que consideramos “seguro e cómodo” pelo desconhecido e imprevisível. Há 800 anos, António de Lisboa e aqueles cinco frades livremente tomaram a iniciativa de trocar a estabilidade das suas vidas e comodidades pela incerteza que implicava a forma de vida franciscana e as adversidades da evangelização em território que não era cristão… Qual é o exemplo que podemos retirar para os dias de hoje? A confiança, a esperança e a determinação!

Precisamos de ser homens e mulheres de confiança: pessoas que realmente acreditam e confiam em Deus, perante uma sociedade que se está a tornar cada vez mais descrente e, com essa descrença, floresce o individualismo, o egocentrismo, onde não há lugar para a solidariedade e cuidado pelo outro.

Precisamos de ser homens e mulheres de esperança: capazes de fazer chegar aos outros que é possível mudar para melhor, onde há lugar para a comunhão entre todos, para a solidariedade, e esse futuro só pode ser realidade se cada um assumir e fizer a sua parte.

Precisamos de ser homens e mulheres com determinação: que mesmo encontrando obstáculos, com a confiança e esperança que temos, vamos falar em defesa daquilo em que acreditamos e daqueles que estão a ser marginalizados, vamos agir e tomar iniciativas concretas pelo cuidado da Criação, de apoio e ajuda com os mais pobres ou que estão a atravessar situações financeiras mais complicadas, vamos defender o dom da vida e da fraternidade entre todos.

Demos graças ao Senhor pelo dom das vidas de António e dos Mártires de Marrocos!
Louvai e bendizei ao meu Senhor, dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!.

Porciúncula, a pequena igrejinha reconstruída por São Francisco e que hoje está no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. FOTO de Alekjds | Wikimedia Commons.
Porciúncula, a pequena igrejinha reconstruída por São Francisco e que hoje está no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. FOTO de Alekjds | Wikimedia Commons.

Perdão de Assis

Um perdão que continua a “gerar Paraíso”: foi assim que o Papa Francisco, durante sua visita a Assis, em 2016, falou da graça que o frade de Assis havia pedido “para todos, para um mundo que ainda hoje precisa de misericórdia, e para que possamos ser seus instrumentos” e “sinais de perdão”.

A festa do Perdão de Assis está intimamente ligada à Porciúncula, a pequena igrejinha reconstruída por São Francisco e que hoje está no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, cidade italiana da região da Úmbria.

Na noite de 1216, numa visão, São Francisco obteve do próprio Jesus a Indulgência do Perdão de Assis, que foi aprovado pelo Papa Honório III. Na visão, Francisco de Assis pronunciou as seguintes palavras:

Santíssimo Pai, mesmo que eu seja mísero e pecador, peço-te que a todos aqueles, arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, conceda amplo e generoso perdão com uma completa remissão de todas as culpas.

Esta indulgência plenária pode ser obtida ordinariamente nos dias 2 e 15 de agosto; também pode ser recebida pelos peregrinos, em qualquer igreja franciscana, uma vez por ano, em qualquer dia.


Foto da capa: Foto no final da Eucaristia presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, na Igreja de Santa Cruz, onde esteve presente uma pequena representação de vários ramos da Família Franciscana, ligados à Pastoral Juvenil. 2 AGO 2020, dia do Perdão de Assis.

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