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A escada da transfiguração

A Palavra de Deus

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles […].
Ainda [Pedro] falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O” […].
Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: “Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos”.

Mc 17, 1-9

A palavra de Santo António

Estes três Apóstolos e companheiros especiais de Jesus Cristo significam as três virtudes da alma sem as quais ninguém pode subir ao monte da luz, isto é, à excelência da vida santa. Pedro é o que reconhece o seu pecado; Tiago, o que suplanta a soberba do seu espírito; João, a graça do Senhor que te ilumina, te faz reconhecer o mal que fizeste e te conserva no bem que começaste.

A graça do Senhor, de facto, envolve o justo transfigurado no monte da luz, da vida santa, e desta forma merecerá ouvir o murmúrio da ténue aura, a doçura de Deus Pai: “Este é o meu Filho querido; escutai-O”. Verdadeiramente é digno de se chamar Filho de Deus quem tomou consigo os três companheiros, subiu ao monte e a si mesmo se transfigurou de figura do mundo em figura de Deus.

Rogamos-te, portanto, Senhor Jesus, que nos faças subir deste vale de miséria ao monte duma vida santa, a fim de que gravados na figura da tua Paixão, fundados na mansidão da misericórdia e no zelo da justiça, mereçamos ouvir a voz de gozo, alegria e júbilo: “Vinde, benditos de meu Pai. Recebei o reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo” (Mt 25,34).

Festa da transfiguração do Senhor

Aprofundemos

O Evangelho da Transfiguração oferece-nos um dos comentários mais profundos de todos os sermões de Santo António. É lembrado em todas as “antologias”. As palavras, cujo profundo significado penetra o vocabulário espiritual cristão e antoniano, são: a montanha, a subida, a escada e a contemplação da face de Deus.

A montanha. “O monte, por causa da sua altitude, significa a excelência da vida santa. É no monte que o Senhor se manifesta” (Gn 22,14); e nos faz ver e entender quanto devemos a Deus e ao próximo.

A subida. “Acredita : a subida é difícil, o monte é alto. Toma aquela escada de que se lê e canta na liturgia deste domingo: Jacob viu em sonhos uma escada direita … posta sobre a terra, cujo cimo tocava o céu (Gn 28,12-13) … Esta escada significa Jesus. Tem duas hastes, a natureza divina e humana; e seis degraus: a humildade da nossa natureza e a pobreza da Virgem; a sabedoria da sua pregação e a misericórdia pelos pecadores; a paciência da sua Paixão e a obediência até a morte e morte de cruz (Fil 2,8)”.

Eis a escada que se ergue direita para o céu: porque não subis? Porque rastejais com as mãos e os pés sobre a terra?

O seu rosto ficou brilhante como o sol… grava-te, como cera mole, nesta figura, para poderes receber a figura de Jesus Cristo. Então o Pai te chamará, como seu filho querido, para tomares parte do seu reino.

Este evangelho é um convite para elevar o nosso olhar da monotonia da vida quotidiana para a beleza do reino de Deus. Teimamos em procurar satisfação nas coisas que o mundo nos oferece? Um vírus invisível pode, a qualquer momento, tudo destruir. Então, contemplemos, sigamos Jesus e o nosso mundo ficará transformada pela luz de Deus.


Foto da capa: A transfiguração de Jesus. Pintura de Raphael (1443-1520), Pinacoteca dos Museus do Vaticano. Wikimedia Commons.

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