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Peregrinos procuram-se

Acabo de ler que no “coração do verão retomarão, com muita cautela, as viagens organizadas aos santuários marianos da Europa”.

Comenta Francisco Ognibene: “Há nestas propostas, um chamamento às origens. Talvez porque a meta é uma Mãe que espera por nós, em cada dia, paciente e carinhosa”.

Acolho como um bálsamo estas palavras, talvez porque ainda sinto nas pernas os quilómetros percorridos, de uma só vez, de Santarém a Fátima. Há muito tempo, dizia quem caminhava comigo, que não via um céu tão cheio de estrelas.

Caminhando, vem ao de cima todo aquele mundo interior que o vírus do frenesim vai enterrando sem nos darmo conta.

Celebrar os 800 anos da vocação franciscana de Santo António significa, também, lembrar este pequeno e extraordinário pormenor: uma vida itinerante, de longos caminhos, de olhar contemplativo, de voz penetrante, recompensada com a visão do rosto divino na meta final, “Vejo o meu Senhor”.

Ainda noviço, em Pádua, no mês de fevereiro de 1981, assisti à revisitação dos restos mortais de Santo António. Algo de extraordinário, visto que a última vez tinha sido, em 1263, quando São Boaventura encontrou incorrupta a língua do Santo lisboeta. Desta vez, houve uma análise pormenorizada e científica aos restos mortais, por parte dos professores da Universidade de Medicina de Pádua.

No relato feito, sobressaíram estas três dicas: Santo António tinha sinais evidentes no seu corpo de um homem que “caminhou” muito, que passou bastante tempo “de joelhos” e que “comeu, de preferência, legumes”.

Podem parecer meras curiosidades, mas não será este um interessante contributo da ciência para reconstruir o seu perfil espiritual, mostrando toda a sua atualidade? António, desde o sul de Itália onde naufragou, percorreu longas distâncias, contemplando, rezando, pregando, defendendo, instruindo e distribuindo graças.

A pandemia travou os nossos ritmos frenéticos, mas agora sairemos das emergências, mais “peregrinos” e menos consumidores. Já temos um manual para peregrinar neste tempo: a Laudato Si’ do Papa Francisco. Começou um ano a ela dedicado, para passar da teoria às boas práticas. Procura-se, então, peregrinos para ver as estrelas no meio da noite.

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