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Bodas de prata sacerdotais

Frei José Augusto Marques, diretor da revista Mensageiro de Santo António, celebrou o 25º Aniversário de Ordenação sacerdotal. Associamo-nos à festa, partilhando com ele a nossa alegria e propondo algumas passagens da homilia que proferiu na Missa festiva celebrada no adro da igreja de Santo António dos Olivais, em Coimbra, no dia 21 de junho. Estando atualmente na comunidade de São Maximiliano Kolbe, em Chelas, voltará a haver festa, em Lisboa, no dia 4 de outubro.

Como surgiu a escolha de ser frade franciscano

É Deus que toma a iniciativa de chamar, de propor. A liberdade de aceitar ou não o desafio, é nossa. Os pretextos para recusar são muitos: “Não tenho tempo; a minha profissão ocupa-me muito; o ambiente onde vivo afasta-me de Deus…”; mas Ele continua à espera, levando o seu plano por diante.

Quando tudo parecia normal, encaminhado para a realização de um futuro feliz, com um curso, com a ideia de formar família; aos 25 anos de idade, com a profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores Conventuais, aceitei partir para ficar sempre com Aquele que me chamava a trabalhar na sua vinha.

Percorrendo a estrada, fui apanhado por dificuldades e dúvidas. Quando tudo parecia bem encaminhado, durante o ano de noviciado, surgiu a doença e então a dúvida e o medo ficaram mais fortes: “Mas será que ainda vale a pena?”

Superando as dificuldades, até aceder ao sacerdócio

Em cada etapa, a voz de Deus fazia-se sentir para dar serenidade e abrandar todo o tipo de medo. Através de tantas pessoas que encontrei, que estiveram perto de mim com o seu conselho, com a sua ajuda e amizade, a voz do Senhor tornava-se mais clara e concreta.

O dom, foi-se tornando sempre mais aquele tesouro pelo qual valia a pena deixar tudo o resto.
Doze anos mais tarde, quando as condições da saúde já não representavam perigo para sobreviver, encontrei-me com a proposta da Ordenação Sacerdotal. Nesse dia já distante, a minha vida tornou-se como a de quem apanha um comboio e começa uma longa viagem.

Fazer festa em tempos de pandemia

É a fidelidade de Deus que hoje celebro. O primeiro sentimento que enche o coração é precisamente o de uma imensa gratidão ao Senhor pelo dom da vida, além do dom do sacerdócio. Agradeço a Deus que na sua bondade, sem mérito meu, me chamou, na minha fragilidade, a colaborar com Ele no anúncio do Evangelho.

A minha resposta ao Senhor, o meu esforço nos anos de formação, o meu ministério nas várias comunidades por onde a obediência me tem feito passar, são pouca coisa em comparação com a atenção que Deus me dedicou; em comparação com a força que me susteve nos anos mais difíceis em que a doença dificultou a caminhada; em comparação com a ternura de Deus que sempre nos acompanha.

25 anos são apenas uma etapa em direção ao futuro

A estrada começada há 25 anos não acabou, mas no eterno desígnio de Deus, está destinada a continuar. Olho para o futuro com a serena consciência de que sobre a Palavra de Jesus parti e sobre a Palavra de Jesus espero continuar a caminhar.

Não sei como serão os tempos que Deus me reserva. Mas uma coisa sei: que o Senhor me chama a viver este tempo como um tempo providencial para continuar ainda a acreditar mais e melhor. Deus não falhou às suas promessas apesar dos meus medos e pecados. Isto dá-me serenidade e esperança para enfrentar o futuro, pois acredito que Ele continuará a ser fiel.


Frei José Augusto Marques
Frei José Augusto Marques

Frei José Augusto Marques é natural de S. Romão – Seia, onde nasceu a 10 de abril de 1958.
Cresceu e estudou em Coimbra, onde foi acolhido na Ordem dos Frades Menores Conventuais, em 1980.
Fez o seu Noviciado em Pádua, onde concluiu os estudos filosóficos e teológicos. Em 1987 emitiu a Profissão perpétua, na mesma Ordem franciscana.
Foi ordenado sacerdote em Coimbra, no Mosteiro de Celas, a 11 de junho de 1995, pela imposição das mãos do Bispo D. João Alves. Desde então exerceu o ministério sacerdotal em Coimbra e Viseu, estando atualmente em Lisboa.

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