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S. Pedro e S. Paulo: apóstolos e mártires

A Palavra de Deus

Quando Jesus se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?”. Ele respondeu-Lhe : “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”.
Disse-lhe Jesus : “Apascenta os meus cordeiros”.
Voltou a perguntar-lhe segunda vez :”Simão, filho de João, tu amas-Me?”.
Ele respondeu-Lhe : “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”.
Disse-lhe Jesus : “Apascenta as minhas ovelhas”.
Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, tu amas-Me?”.
Pedro [ … ] respondeu-Lhe: “Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”. Disse-lhe Jesus : “Apascenta as minhas ovelhas”. [ … ]”Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres”.

Jo 21, 15-18

A palavra de Santo António

Contrafeito, Pedro, foi conduzido àquela morte penosa, mas por vontade foi exaltado por ela; contrafeito foi até ela, mas venceu-a com a vontade e deixou o afeto da fraqueza, que leva o homem a não querer morrer.

Isto é tão natural que nem depois de velho largara Pedro… Mas qualquer que seja a moléstia da morte, vence-a a força do amor; se não custasse nada ou custasse pouco a morte, não seria tão grande a glória do martírio.

São Paulo foi, no campo da Igreja, um ónagro* do campo. Semeou-a com a semente de palavra divina; enxertou garfos de vida santa em árvores que não davam fruto, de modo que dessem fruto; preparou pastos de vida eterna; decorou-a com variadas flores de virtudes.
Vivendo assim em carne mortal, em espírito anda buscando o gozo que sacia todos os desejos.

Ó amor de Cristo, que tornas doces todas as coisas amargas! O sofrimento dos Apóstolos foi horrível e amargo; mas o amor de Cristo tornou-o agradável e doce para que o recebessem com avidez e deleite e, depois, gozassem eternamente com Ele, que é bendito por séculos eternos. Assim seja.

Santo António, Sermões, Festa dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo

Aprofundemos

Para os apóstolos Pedro e Paulo, Frei António consagra dois sermões. A Cadeira de S. Pedro recorda a profissão de fé em Cesareia: “Tu és o Cristo Filho de Deus vivo” (Mt 16:16) e o poder de ligar e desligar: “Tu és Pedro… dar-te-ei as chaves do reino dos céus…” (Mt 16:19). A conversão de S. Paulo, narra o episódio de Damasco e a promessa de Jesus de os apóstolos se sentarem ao seu lado para julgar o povo de Deus (Mt 19:29). Para os dois apóstolos reunidos dedicou o sermão Os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo que evoca a sua missão como pastores e o seu martírio.

Pedro foi levado à morte contra a sua vontade, mas por sua vontade e pela força do amor venceu a morte e a glória do martírio foi ainda maior. Paulo, como um bom jumento do campo, cultivou o terreno da Igreja, semeou a palavra de Deus, enxertou árvores bravas com ramos de vida eterna para darem frutos, alimentou-a com pastagens de vida eterna e decorou-a com as flores da virtude, suportando perseguições e perigos de morte, além de assumir a preocupação com todas as igrejas.

O mês de Junho de 2020 lembra-nos o junho de 1220, há 800 anos, quando o jovem Fernando, movido pelo exemplo dos primeiros frades franciscanos, martirizados em Marraquexe, deixou o mosteiro dos cónegos regrantes de Santo Agostinho em Coimbra, para vestir o hábito franciscano e partir para Marrocos para sofrer o mesmo martírio. António foi um mártir do desejo e se a espada do perseguidor – repetem concordes os seus biógrafos – não lhe tirou a vida, a sua alma não perdeu a palma do martírio.

O amor de Cristo transforma em doçura de alma até as coisas mais amargas que podemos encontrar no serviço a Deus e ao próximo.


  • ónagro – animal da família dos equídeos, que constitui uma subespécie de jumento selvagem.

Foto da capa: S. Pedro e S. Paulo, pintura sobre madeira de Jacopo di Paolo, final sec. XIV, Pinacoteca Nacional de Bolonha. Faria parte de um políptico desmembrado dos 12 Apóstolos.

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