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Basílica de Santo António, clínica de almas

Sabemos que o corpo de Santo António se encontra em Itália, na Basílica do Santo, na cidade de Pádua, por onde costumavam passar cerca de 4 milhões de peregrinos por ano. Junto da Basílica há um convento franciscano. Hoje queria “levar-vos até lá”, dando-vos a conhecer um idoso e sábio confrade, frei Francisco Ruffato, desde sempre dedicado ao acolhimento, à escuta e à confissão dos peregrinos que chegam à Basílica.

Sou frei Francisco Ruffato e vivo numa numerosa comunidade de frades, ao serviço da Basílica de Santo António. Este convento nasceu à volta da figura de António, este Português, cónego regrante de Santo Agostinho que se fez franciscano fascinado pelas escolhas de Francisco de Assis. Em Pádua ensinou teologia aos confrades: foi pregador eficaz em defesa dos pobres e taumaturgo. Há oito séculos que o seu túmulo é meta de numerosos peregrinos, que chegam de todas as partes do mundo.

Shi (Poesia), de Lee Chang-Dong, Drama, M/12, França, Coreia do Sul, 2010.
Shi (Poesia), de Lee Chang-Dong, Drama, M/12, França, Coreia do Sul, 2010.

A Basílica do Santo transformou-se numa clinica espiritual especializada para o homem de hoje.

Frei Francisco Ruffato

Muitas vezes é uma humanidade ferida aquela que vem em peregrinação ao Túmulo de Santo António e deseja ser escutada e cuidada. No silêncio do confessionário apresentam-se penitentes convencidos que o Senhor os espera e falam, falam… encontros pessoais envolvidos no mistério de quem absolve e de quem tem necessidade de ser perdoado pela misericórdia de Deus.

Com o nosso ministério de confessores e de escuta, colaboramos para construir pontes de fraternidade nas famílias, nas paróquias, entre os sacerdotes, nas escolas, no ambiente de trabalho, nos hospitais, mas, sobretudo, proporcionamos um espaço de consolação para quem é experimentado pelo sofrimento. Os peregrinos entram na Basílica com fé e saem com esperança. 

Depois de um dia passado a ouvir os peregrinos, os frades reúnem-se em oração para a recitação das vésperas, a que se segue o jantar comunitário. À noite, antes de dormir, penso em quem pediu a minha oração, sobretudo naqueles, e são tantos, que derramaram lágrimas fortes. Vou com o pensamento às palavras escritas no túmulo do Santo: “Vinde a mim vós que andais cansados e fatigados e eu vos aliviarei”.

Basta um pouco de fé, para encontrar a vontade de viver e um pouco de esperança para que ninguém se sinta só e abandonado. Deus faz-se encontrar por quem o procura com coração sincero.

Frei Francisco Ruffato,  frade da Basílica do Santo 

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