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Mediterrâneo, fronteira de paz

Enquanto estamos reunidos aqui para rezar e refletir sobre a paz e o destino dos povos do Mediterrâneo, do outro lado deste mar, especialmente no noroeste da Síria, está ocorrendo uma grande tragédia.

A guerra é uma loucura, pois é louco destruir casas, pontes, fábricas, hospitais, matar pessoas e destruir recursos, em vez de construir relações humanas e económicas. É uma loucura a que não podemos resignar-nos: a guerra nunca poderá passar por normalidade, nem ser aceite como via inevitável para regular divergências e interesses contrapostos. Nunca…

O Mediterrâneo tem uma vocação peculiar: é o mar da mestiçagem, “culturalmente sempre aberto ao encontro, ao diálogo e à inculturação mútua”. As raças puras não têm futuro. A mensagem da mestiçagem é muito eloquente. Então, o facto de se estar voltado para o Mediterrâneo constitui um potencial extraordinário: não deixemos que, por causa dum espírito nacionalista, se difunda a persuasão contrária, ou seja, que são privilegiados os Estados menos acessíveis e, geograficamente, mais isolados. Só o diálogo permite encontrar-se, superar preconceitos e estereótipos e conhecer-se melhor a si mesmo. O diálogo e aquela palavra que ouvi hoje: convivialidade.

Muitas vezes a história conheceu contraposições e lutas, fundadas na errada persuasão de que, quando nos opomos a quem não segue o nosso credo, estamos a defender Deus. Na realidade, extremismos e fundamentalismos negam a dignidade do homem e a sua liberdade religiosa, causando um declínio moral e incentivando uma conceção antagónica das relações humanas. Por isso mesmo torna-se urgente um encontro mais vivo entre os diferentes credos religiosos, movido pelo respeito sincero e um objetivo de paz.


Excerto das palavras do Papa, a 23 de fevereiro de 2020,
no encerramento do encontro dedicado às migrações e aos conflitos no Mediterrâneo, que decorreu em Bari, Itália.

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