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Jovens… e os santos da “Christus Vivit”. 1. São Sebastião

Não foi propriamente ao fim do mundo… mas foi lá longe, há cerca de 1700 anos atrás, que o Papa Francisco foi buscar o primeiro exemplo de “santidade juvenil” a que devemos prestar atenção neste caminho de preparação das próximas jornadas…

Chamava-se Sebastião e nasceu em Narbonne (sul de França), no século III (256 d. C.), filho de uma família nobre de Milão. Mas foi em Roma que se tornou conhecido pelos seus méritos pessoais e militares. A imponência da sua figura e notória valentia, contrastantes com uma bondade natural característica, levaram o Imperador Diocleciano (acérrimo perseguidor dos cristãos) a nomeá-lo capitão general da Guarda Pretoriana, ignorando o facto de ser um batizado em nome de Jesus. Sebastião, inteligente e prudentemente, dedica-se então a visitar os cristãos capturados e condenados pelo Imperador, animando-os a que se mantivessem “alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração”, tal como fizera Paulo aos cristãos de Roma (cfr. Rom 12, 12).

No entanto, a denúncia feita pelo governador Fabiano leva-o ao castigo pelo qual ainda hoje a sua imagem é facilmente reconhecida: acusado de ingratidão, é amarrado e cravado de flechas, ao ponto de os seus algozes o considerarem morto. Contudo, uma jovem, de nome Irene, reparando que este ainda não tinha dado o último suspiro, acolhe-o em sua casa, cura-lhe as feridas e ajuda-o a recuperar o alento para viver. Ainda não totalmente restabelecido, Sebastião insiste novamente junto do Imperador, defendendo os cristãos e condenando a injustiça que este cometia contra eles; em resposta e exasperado com o atrevimento do jovem, Diocleciano condena-o à morte por chicoteamento e manda que o seu corpo seja atirado à Cloaca Máxima, o local mais imundo de Roma. Martirizado a 20 de janeiro do ano 288 (ou 230), os seus restos mortais foram recuperados e sepultados nas catacumbas da Via Ápia. A sua fama era tão grande que logo após a sua morte começou a ser venerado como santo.

São Sebastião viveu nesses primeiros tempos do cristianismo, tempos em que “seguimento”, “testemunho” e “martírio” eram palavras plenas de significado e conteúdo vital, unidas pelo mesmo “laço de sangue”: seguir Jesus, com a radicalidade que a proximidade da memória das suas palavras e gestos imprimia, era sinónimo de uma vida vivida em pleno, uma vida quotidianamente fortalecida pela fé e pela esperança (mesmo nas circunstâncias mais adversas), mas não raras vezes também uma vida que se tornava sangue vertido em nome da mesma radicalidade e coerência… A coragem do jovem Sebastião é exemplo e desafio. Seremos capazes de o imitar?

Curiosidades sobre São Sebastião

A imagem/iconografia de S. Sebastião é de muito fácil identificação, pois aparece sempre representado com flechas cravadas no corpo, amarrado a uma árvore ou a uma coluna, em situação de martírio.

Sebastião é popularmente invocado como protetor contra as dores do corpo, as feridas, os tiros e objetos perfurantes.

Padroeiro principal da Diocese de Lamego, sob a sua invocação se erege um sem número de capelas e centros de culto, a que se somam 102 paróquias portugueses, espalhadas por 18 das 20 dioceses portuguesas, descontando a das Forças Armadas (Aveiro e Porto são as excepções).

Os atletas, jardineiros, ferreiros, polícias, detetives, empreiteiros, marmoristas, soldados e escultores vêm nele o seu santo protetor.

A sua miraculosa proteção invocada diante das grandes pestes e epidemias dos séculos XIV e XV e meados do século XVI explica quer o facto de ser canonicamente o advogado da peste, da fome e da guerra, quer as inúmeras festas e romarias  espalhadas de norte a sul de Portugal que em seu nome se celebram, sempre associadas a distribuição de verdadeiros manjares, bodos ou leilões de alimentos. São os casos das “Fogaças” de Santa Maria da Feira, a “Festa das Chouriças” em Valado de Frades (Nazaré), ou a “Mesa de São Sebastião” em Couto de Dornelas (Boticas, Vila Real).


Foto da capa: Martírio de São Sebastião, de Gregório Lopes. Óleo sobre madeira de carvalho. Museu Nacional de Arte Antiga. Proveniência: Convento de Cristo, Tomar.

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