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Frei Pedro da Guarda (continuação)

Após a sua morte, a 27 de Julho de 1505, e enquanto os seus restos mortais estiveram na campa conventual, exalava dela um odor de santidade, como referia o povo que tinha por ele grande admiração.

O cronista, Frei Fernando da Soledade, baseando-se nos “processos que se fizeram por parte da Sé Apostólica para efeitos da sua beatificação alude a diversos milagres”, a maioria ocorridos na Madeira, concretamente, em Câmara de Lobos. Mas há milagres em Lisboa e a cura de dois religiosos que se deslocaram ao convento de São Bernardino, um natural da cidade da Guarda e outro natural de Tomar.

A 28 de Janeiro de 1597, procedeu-se à exumação e trasladação dos seus restos mortais para a Igreja conventual, por ordem do comissário da Madeira, Frei Ambrósio de Jesus e do Bispo do Funchal, D. Luís Figueiredo de Lemos, com a presença do reitor dos padres Jesuítas e outras pessoas de renome. Com este ato, dava-se início à veneração pública com aprovação eclesiástica. Nessa data, foram contabilizados 600 milagres para a sua canonização. Anos mais tarde, procedeu-se à abertura da sepultura de frei Pedro, retirando-se três relíquias para veneração dos fiéis noutros centros do franciscanismo na ilha.

No ano de 1620, procedeu-se à instauração de um novo processo para a canonização de Frei Pedro e outros mais são feitos, mas sem conclusão favorável por diversos motivos. Segundo refere D. António Montes, registaram-se onze processos, sendo que só dois chegaram a Roma (Revista Islenha 37,38).

No século XVII, a Câmara Municipal da Guarda solicitou à Igreja de Roma a sua beatificação. O papa Urbano VIII determinou, por decreto, a proibição de todo o culto prévio a um candidato à santidade, exceptuando aqueles cujo culto se considerasse imemorial, ou seja, por um período superior a 100 anos. Logo, o culto popular prestado a Frei Pedro da Guarda não foi abolido.

O biógrafo mais antigo que relata as virtudes e milagres de Frei Pedro da Guarda é Frei Marcos de Lisboa, na sua obra As Crónicas da Ordem dos Frades Menores. Já ali se dá a conhecer a vida e os milagres deste “santo popular” conhecido em Portugal e na Europa. O povo madeirense ergueu capelas em honra do seu “santo” no local da sua sepultura e na cozinha, seu lugar habitual de trabalho. E outra ao cimo da escadaria que dá acesso ao local onde rezava, sendo a única que resistiu até aos dias de hoje, com a designação de capela de São Lourenço.

Frei Fernando da Soledade alude que a “aplicação da terra da sepultura, qual terra salutífera é remédio universal para todos os males”. Afirma ainda que “o povo  daquela Ilha colocou a sua imagem, dando-lhe culto, como o têm os santos canonizados”.


Este apontamento teve como base os trabalhos de D. António Montes e Frei Nélio Mendonça.


Foto da capa: Frei Pedro da Guarda: Painel de azulejos no Convento de São Bernardino, Câmara de Lobos, Funchal. Foto PESP/ Wikimedia Commons.

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