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Não podemos continuar indiferentes

Celebrámos há pouco a Semana de Oração pela unidade dos Cristãos, com um convite forte a contrastar a indiferença perante as crises da migração. As comunidades cristãs de Malta e Gozo, lembrando o naufrágio de São Paulo que na ilha de Malta foi acolhido com invulgar humanidade, fizeram apelo à dramática situação humanitária dos migrantes e refugiados vítimas de naufrágios no Mediterrâneo.

O texto denunciava “a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes”.

Entre o final do ano passado e o início de 2020, o Papa Francisco não se cansou de denunciar a indiferença perante os males do nosso tempo.

Não podemos, nem devemos − afirmou no encontro com o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, a 20 de dezembro de 2019, − virar a cara perante as injustiças, as desigualdades, o escândalo da fome no mundo, da pobreza, das crianças que morrem porque não têm água, alimentos e os cuidados necessários.

E de seguida, elencou outras situações de indiferença:

Não podemos virar a cara perante qualquer tipo de abuso contra os mais pequenos… Não podemos fechar os olhos perante tantos nossos irmãos que, por causa dos conflitos e violência, da miséria ou das mudanças climatéricas, deixam os seus países e vão ao encontro, muitas vezes, de um triste destino. Não devemos ficar indiferentes perante a dignidade humana pisada e explorada, perante os ataques contra a vida humana… Não podemos, nem devemos virar a cara quando os crentes de várias confissões religiosas são perseguidos, em diferentes partes do mundo.

Perante o corpo diplomático da Santa Sé, a 9 de Janeiro de 2020, o Papa também não ficou calado denunciando o “clima de indiferença geral da Comunidade Internacional” perante a grave crise humanitária no Iémen ou a situação de violência na Líbia, denunciando que

este contexto é terreno fértil para o flagelo da exploração e tráfico de seres humanos, alimentado por pessoas sem escrúpulos que exploram a pobreza e o sofrimento daqueles que fogem de situações de conflito ou de pobreza extrema. Muitos deles acabam presa de verdadeiras máfias que os detêm em condições desumanas e degradantes, sujeitando-os a torturas, violências sexuais e extorsões.

No início de um novo ano somos chamados a “cuidar da nossa terra” a “fazer algo antes que seja demasiado tarde!”, a “sermos semeadores de paz e construtores, juntos e não sozinhos, de uma civilização mais humana e mais justa”.

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