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Jovens… e Padre Américo um projeto de santidade

Proponho que regressemos à figura e pensamento de Padre Américo. Foquemo-nos nalgumas das suas “ideias” acerca da santidade e, mais em particular, na relação que ele estabelecia entre esta e a juventude.

Eis, em resumo, o seu projeto educativo, enquanto projeto de formação integral:

Já tínhamos o hospital; agora, a Capela; as oficinas hão-de vir. Tríptico de beleza! A formação completa do Rapaz está aqui. Nós não queremos fazer santos, que isso é únicamente obra da Graça. Nem “santinhos”, que é obra de pieguice. Procuramos, sim, obter homens honestos.

Pão dos Pobres. Do que eu vi em casa deles e de como tratei seus filhos.
Vol. 4. 1ª ed. Paço de Sousa: Editorial da Casa do Gaiato, 1984, 204

O hospital para assistência/cura das maleitas próprias dos que se aventuram à descoberta dos mistérios da Natureza (pois é forte a dimensão ambiental-ecológica deste projeto); a capela, espaço central do encontro comunitário/solitário com o Transcendente/Deus, respeitadas sempre a fé e sensibilidade de cada sujeito; as oficinas enquanto oportunidade para o “aprender-fazendo” que, aliado à teoria, a consolida em verdadeiro saber-experimentado e, por isso, socialmente útil. 

Quanto a esta ser uma “escola de santidade”:

A Casa do Gaiato não é nenhuma “máquina de fazer santos”, como alguém disse por picardia. Nós estamos aqui para fazer frente às realidades. É impossível que todos os nossos dêem tábua; muitos hão-de dar casqueira. É assim nas famílias bem nascidas. Com mais razão nesta, cujo nascimento foi desgraça e infância aborrecimento. (…) Bem sei que não faço santos (…). Sei o terreno que piso.

Ibidem, 315

Em vez de “perfis” onde o individuo deverá “encaixar”, estão aqui a “universalidade e transversalidade” da graça de Deus que em todos habita e que de todos pode despontar. Como diriam mais tarde os Padres do II Concílio do Vaticano, eis a verdadeira “vocação universal à santidade”:

Justamente hoje, à estação da Missa, preguei o evangelho do dia aos meus rapazes e disse que não tivessem medo da palavra santo. Ser santo. E por aqui adiante, fui-lhes dizendo que em toda a parte, a todo o tempo, qualquer que seja a condição de vida, podemos desejar e abraçar aquele ideal: a cavar as terras, a bater ferro, a picar pedra, a fazer botas, a cortar pano, a advogar causas, a curar enfermos, a dizer missa. Os rapazes escutavam, pasmados.

Do que nós necessitamos, O Gaiato, Ano IV, n. 86
14 de Junho de 1947: 2

Que Padre Américo o tenha dito, desta forma e naquele seu tempo, não é feito de somenos relevância… Que hoje também nós reaprendamos com(o) ele a “ler os sinais” e a dizer/fazer “o que tem que ser feito”, é, talvez, o maior “aguilhão na nossa consciência” (D. Manuel Linda) e o mais radical desafio (de santidade) que o seu testemunho nos deixa. E já não seria pouco… se não nos tivesse legado muito mais…


Foto da capa: Casa do Gaiato, Miranda do Corvo, Coimbra, 11.01.2020. Fotos Agência Ecclesia. Fotomontagem MSA.

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