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A ferida do amor

Perante as nuvens ensombradas de desastres ecológicos, conflitos armados, injustiças sociais e desprezo dos direitos humanos, que marcam o início deste ano, acreditamos que são os pequenos sinais de vida, de paz, de solidariedade, de justiça e de amor que empurram o mundo para um reino de fraternidade universal.

As fotos simbólicas de um rebento que brota do tronco de uma árvore queimada nos grandes incêndios da Austrália ou a do Papa Francisco que se ajoelha aos pés dos beligerantes do Sudão do Sul, em favor da paz, constituem um sinal de esperança: nada pode vencer a força da vida e do amor.

A propósito do gesto emblemático do Papa, recordamos que ele se deu no fim de um retiro espiritual, no Vaticano, em que participaram as máximas autoridades religiosas e políticas do Sudão do Sul.

Quer dizer, podemos esperar a reconciliação e a paz quando se cria um clima de abertura e de acolhimento ao Deus da Paz e da Misericórdia.

A boa notícia que Jesus, Filho de Deus e Filho do Homem, veio trazer ao mundo é que é possível vencer tudo o que destrói a vida, quer no homem quer na criação. Basta confiar e acreditar, ter paciência e constância, pois para construir uma vida é preciso muito tempo, enquanto que para a destruir, basta um instante.

Jesus, modelo de vida, não apenas para o cristão, foi anunciado como aquele que “não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que fumega: proclamará fielmente a justiça” (Is. 42, 2-3). Num mundo, como o nosso, cheio de palavras, de som e de barulho, não é fácil ouvir esta Palavra, mas não é impossível e, sobretudo, está ao nosso alcance. 

Disto, dão testemunho tantos nossos irmãos e irmãs que nos deixaram um exemplo maravilhoso. Mais uma vez, queremos recordar o testemunho dos Santos Protomártires Franciscanos e de Santo António, cujo Jubileu está a ser vivido na Diocese de Coimbra, mas que está aberto a todas as pessoas que procuram a verdade e a justiça. Eles ensinam-nos que, quando no nosso coração fica aberta uma “ferida de amor”, o desejo do Bem, e procuramos saciá-la com o Amor que brotou do lado aberto do Redentor, então, alcançaremos a plena e verdadeira alegria.

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