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Chamar-se-á António

António 20-20 é o slogan escolhido em Itália para celebrar os 800 anos da vocação franciscana de Santo António.

Foi em 1220, de facto, que o jovem Fernando, natural de Lisboa e acabado de se formar em Coimbra, na Ordem dos Cónegos de Santo Agostinho, decide mudar de ordem, abraçando a vida e a regra dos frades menores de São Francisco de Assis. Com o traje, muda também o nome: chamar-se-á António. Um santo nome, até hoje.

Estamos na época e na sociedade em que as notícias passam com uma rapidez impressionante. Faz dinheiro se for uma notícia de primeira mão, de tabloide. No dia seguinte já é velha: deixou de ser notícia!

Mas há notícias que perduram na história, ultrapassam o tempo, mesmo o tempo veloz e fugaz desta era digital e virtual. Há pouco tempo celebrámos o Natal, que tem a sua origem numa notícia que não saiu na comunicação social da época: a Anunciação. O anjo Gabriel não postou nas redes sociais, nem Maria se deu ao trabalho de organizar uma conferência de imprensa para explicar o privilégio de ser a Mãe do Salvador. Nem enviou um whatsapp para José ou para as amigas a dizer: “Estou grávida! É um bebé e chamar-se-á Jesus!”.

Talvez a mudança de ordem religiosa do nobre Fernando, para frei António, tenha provocado algum borborinho na cidade dos doutores daquele tempo; e também alguma crónica mordaz no que diz respeito ao vira-casaca que preferiu uma ordem de aventureiros (os franciscanos recém constituídos) deixando para trás o centro de cultura e excelência que era o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. Mas, também deste evento que fez de António a maior marca de santidade popular daquela época, não há muito eco na imprensa. Porquê? Porque Santo António, por onde passou: Lisboa, Coimbra, Marrocos, Sicília, Assis, Bolonha, França, Pádua… nunca falou de si mesmo. Mas, aos poucos, todos falaram dele.

A vida é feita de anúncios que permanecem no seio de Deus. Enquanto escrevo, guardo no segredo do coração uma pequena “anunciação” que acabava com estas palavras: “chamar-se-á António”. Uma pequena luz que se acendeu entre o Natal e o início de um ano dedicado ao nosso Santo. António 20-20 vela por este novo rebento.

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