Artesãos da hospitalidade

“Não havia lugar para eles” (Lc 2, 7). Com estas simples palavras, o evangelista S. Lucas anota a angústia que experimentaram Maria e José, quando a mãe estava para ter o Filho Jesus.
É o mesmo problema que aflige as pessoas e as famílias que, privadas das mínimas condições para viver uma vida digna, são constrangidas a emigrar e a bater à porta das cidades dos ricos da terra. Jesus, ao nascer na gruta de Belém, carregou, desde o início, o sofrimento das criaturas humanas.

Hoje, este sofrimento tem, particularmente, um nome: “Crise migratória mundial”. É assim que o Papa Francisco a designou no discurso pronunciado na sua visita à Tailândia. Disse o Papa:

Almejo − uma vez mais o digo − que a comunidade internacional atue com responsabilidade e clarividência, possa resolver os problemas que levam a este êxodo trágico e promova uma migração segura, ordenada e regulamentada. Oxalá cada nação desenvolva mecanismos eficazes para proteger a dignidade e os direitos dos migrantes e refugiados, que enfrentam perigos, incertezas e exploração na sua busca da liberdade e de uma vida digna para as suas famílias. Não se trata apenas de migrantes, trata-se também da fisionomia que queremos dar à nossas sociedades.

Eis a grande questão: qual é o rosto da sociedade que queremos? Não é uma pergunta fácil de responder, apesar de todos terem uma resposta pronta na língua. Porque a resposta verdadeira é fruto de uma grande sabedoria, que exige silêncio, reflexão, oração e discernimento.

Jesus foi anunciado e esperado como Sabedoria: “Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação”. Jesus veio ensinar-nos este caminho, mas não como a maior parte de nós imagina, isto é, com força e poder, mas, sim, com a “firmeza” da verdade e com a “suavidade” do amor. Só fixando o nosso olhar nele, na sua palavra e no seu exemplo, descobriremos este caminho e conseguiremos o “sonho” da Justiça e da Paz.

“Hoje − disse ainda o Papa na Tailândia − as nossas sociedades precisam de artesãos da hospitalidade, homens e mulheres que cuidem do desenvolvimento integral de todos os povos, no seio duma família humana que se empenhe a viver na justiça, solidariedade e harmonia fraterna”.

Santo Natal e Feliz Ano novo!

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