Outono de luz e de sombras

Deixamos o mês de outubro com a sensação de entrarmos num Outono carregado de incertezas, motivadas, sobretudo, pelo ambiente político internacional.

Na verdade, assistimos a um processo de involução no que diz respeito ao diálogo e à cooperação entre os povos e as nações. Nota-se uma defesa intransigente dos próprios interesses, uma atitude de desconfiança em relação ao outro, um erguer de muros e barreiras para rejeitar uma realidade que incomoda e, pela calada, uma corrida aos armamentos.

O fruto mais evidente desta situação é o ódio que se manifesta de muitos modos: racismo, violência, intolerância, desprezo e falta de respeito.

Por outro lado, há factores que mantêm viva a esperança e que vêm, principalmente, do lado da Igreja: as viagens do Papa Francisco a Moçambique, Madagáscar e Maurícia, o Sínodo sobre a Amazónia e o mês de outubro, proclamado “mês missionário”.

Estes factores represen­­tam um sinal de luz e de confiança na Igreja, que se apresenta ao mundo como uma mãe atenta aos seus filhos, especialmente os mais necessitados, e como “hospital de campanha” que oferece a todos, sem acepção de pessoas, conforto e solidariedade.

Diante deste panorama, como permanecer “fiel a Deus e ao homem?”.

O Salmo 17 sugere: “Contrariamente às ações dos homens, conservei-me fiel à tua palavra”. Eis, então, a indicação certa: escutar a palavra do Senhor e pô-la em prática. Mas, há uma atitude prévia muito importante: a “arte preciosa do silêncio”, para poder escutar.

Nos nossos dias somos invadidos pelas palavras, pelo barulho, pelas fakes news, pelas fofoquices, ao ponto de que a poluição sonora se tornou mais um problema ecológico. Compreende-se, então, a necessidade de redescobrir a beleza do silêncio e, simultaneamente, uma nova forma de comunicação, como sugere Maria de Campello:

A nossa palavra seja humilde, clara, leal, respeitosa e fraterna; a nossa comunicação edifique a comunhão.

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