A vocação franciscana de António

Narra a tradição que Fernando de Bulhões, ainda em Santa Cruz de Coimbra, tendo manifestado ao Abade e aos outros monges a sua intenção de ingressar nos Franciscanos, terá recebido de um dos seus colegas um comentário “apimentado”: “Vai, vai, assim chegarás mais cedo à santidade!”. Mal sabia ele que o seu desabafo iria acertar em cheio.

Mas, porquê António, estando já numa vida de perfeição, decidiu mudar de rumo? Se percorrermos com atenção o seu itinerário de vida descobriremos um fio condutor: a ação do Espírito do Senhor que renova continuamente todas as coisas e, naturalmente, as pessoas.

A obra do Espírito Santo é a construção do Reino de Deus, já neste mundo. De facto, Jesus Cristo já salvou o mundo e deixou à Sua Igreja todos os meios para alcançar este resultado.

O grande desafio, para nós cristãos, é, na escuta do Espírito, realizar esta obra que, não devemos esquecer, é Sua e, só depois, também nossa.

António viu, na pessoa de Francisco de Assis, a concretização de quem escuta e segue a voz do Espírito do Senhor, por isso lançou-se imediatamente no seguimento da obra por ele começada, ao ponto de se tornar um dos seus discípulos mais brilhantes.

Em Coimbra, em 2020, celebra-se um Ano Jubilar, a fim de reavivar a fé dos crentes, reacender o ímpeto missionário e dinamizar uma cultura evangelizadora.

O Papa Francisco, que escolheu o nome do Pobre de Assis, continuamente nos recorda que, para receber em nós o amor de Deus é necessário despojar-se de si próprio e viver uma vida nova, um dom que o Senhor só concede aos pobres e humildes, àqueles que têm um coração puro e se disponibilizam a cumprir a Sua vontade.

Quem assim fizer, receberá, como Francisco e António, o próprio Jesus nos braços e terá a alegria de o testemunhar e oferecer aos demais!

Rejubilemo-nos com Francisco, com os Santos Mártires de Marrocos e com Santo António!


Foto da capa: Mártires de Marrocos na Igreja de Santa Cruz de Coimbra
A 16 de Janeiro de 2020, comemoram-se os oitocentos anos do martírio dos primeiros frades que São Francisco de Assis enviou em missão para Marrocos: Berardo e Otão (sacerdotes), Pedro (diácono), Acúrsio e Adjuto (leigos). Aí dedicam-se apaixonadamente à pregação e à evangelização, não obstante a perseguição. Sabendo do seu martírio, São Francisco de Assis terá referido: “agora posso dizer que tenho cinco verdadeiros frades menores”.

Tal acontecimento, juntamente com a chegada das Relíquias dos Mártires à Igreja de Santa Cruz de Coimbra, impressionou de tal modo o neo-sacerdote Fernando Martins de Bulhões que ele se decidiu, nesse mesmo ano de 1220, a fazer-se Frade Menor. Assumindo o nome de António, é recebido no convento de Santo António Abade dos Olivais, em Coimbra.

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