Maria, ouro maciço, oliveira que brota, cipreste para o alto

A Palavra de Deus

Era como a estrela da manhã, no meio das nuvens,
como a Lua, nos dias da lua cheia,
como o Sol radioso sobre o templo do Altíssimo,
como o arco-íris que reluz nas nuvens luminosas;
como a flor das roseiras, em dia de Primavera,
como os lírios, junto das correntes de água,
como um ramo da árvore de incenso, em dias de Verão;
como o fogo e o incenso no incensário,
como um vaso de ouro maciço, ornado de pedras preciosas;
como oliveira, carregada de frutos
e como o cipreste que se eleva até às nuvens.

Sir 50, 6-10

A palavra de Santo António

Observem-se as três palavras: vaso, oliveira e cipreste.

Maria Santíssima foi vaso pela humildade, de ouro pela pobreza, maciço pela virgindade, ornado com as pedras preciosas das suas prerrogativas.
E porque a humildade se conserva com a pobreza, chama-se vaso de ouro.
E porque a humildade e a pobreza de Maria Santíssima foram dotadas com a integridade da virgindade, acrescenta-se: “Vaso maciço de ouro”. A Virgem Santíssima foi maciça pela virgindade e por isso pôde conter a Sabedoria.

Como a oliveira que brota.

A oliveira, primeiro, lança a flor odorífera, da qual se forma a azeitona que é verde, depois avermelhada e finalmente se torna madura. A Virgem Santíssima permaneceu na força da virgindade; foi avermelhada na Paixão do Filho, que lhe trespassou a própria alma; foi madura na Assunção; foi oliveira que brota, isto é, que goza de alegria na beatitude da glória celeste.

E como o cipreste que se eleva para o alto.

Maria Santíssima elevou-se como o cipreste, no dia de hoje, acima de todos os Anjos.
Rogamos-te, Senhora nossa, Mãe ínclita de Deus, que enchas de graça celeste o vaso do nosso coração, a fim de que mereçamos ser elevados à altura da gloria celeste. Ámen.

Assunção da Virgem Santa Maria

Aprofundemos

Os quatro sermões para as festas da Virgem Maria são inspirados pelo louvor do sumo sacerdote Simão (198 a.C.), no livro da Sabedoria ou Ben Sira.

Neste elogio, Santo António busca os mais belos motivos, inspirados nos fenómenos naturais: estrela da manhã, lua cheia, sol radiante, Primavera; na liturgia: templo, incenso; nas árvores, flores e frutos: rosa, lírio, oliveira, cipreste; e em objetos como as pedras preciosas, para cantar as belezas espirituais da Santa Mãe de Deus. Para a festa da Assunção, recorre a três motivos: o vaso de ouro maciço, a oliveira que dá fruto e o cipreste que se projeta para o céu.

“A Bem-aventurada Virgem Maria foi um vaso cheio de graça por causa da humildade. Um vaso de ouro por causa da pobreza, que torna esplendorosos e ricos quem a possui”. Um vaso sólido devido à virgindade, adornado de pedras preciosas, porque é rico de todas as graças celestes.

A Virgem Maria foi uma oliveira da qual brotou uma flor de perfume inestimável. O seu fruto, primeiro, verde da frescura da Natividade do Senhor, depois, vermelho da Paixão, está finalmente maduro na plenitude da alegria do céu.

Maria foi, também, um cipreste que se eleva acima de todos os coros dos anjos: “Na glória do céu, acima de todos os santos, há um trono, a Virgem Maria, e, sobre este trono, o Filho do Homem, Jesus Cristo”.

Nós te pedimos, Senhora nossa, Mãe de Deus, que enchas o vaso do nosso coração com o ouro da tua sabedoria, com a força da tua intercessão, com as pedras preciosas das tuas virtudes e com o óleo da tua misericórdia que cobre os nossos pecados, e, assim, possamos, viver contigo, na glória do céu.


Foto da capa: Coroação da Virgem, pintura a óleo e folha de ouro, de Gentile da Fabriano, 1420. Imagem digital cortesia de Getty’s Open Content Program / Wikimedia Commons, 2018.

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