Línguas de fogo

A Palavra de Deus

Viram então aparecer umas línguas,
à maneira de fogo, que se iam dividindo,
e poisou uma sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a falar outras línguas,
conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.

At 2, 3-4

“O Paráclito, o Espírito Santo
que o Pai enviará em meu nome,
esse é que vos ensinará tudo,
e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse”.

Jo 14, 26

A palavra de Santo António

O Espírito Santo apareceu em línguas de fogo, para opor línguas a línguas, fogo ao veneno mortífero.

O fogo tem quatro propriedades: queima, limpa, aquece, ilumina.
Semelhantemente, o Espírito Santo queima os pecados, limpa os corações, sacode o torpor, ilumina as ignorâncias. O fogo é ainda, de sua natureza, incorpóreo e invisível, mas depois de se apoderar de algum corpo vê-se aparecer de cor diversa em razão das matérias em que arde; assim o Espírito Santo não pode ser visto senão pelas criaturas em quem opera.

O que está cheio do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos de Cristo: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência.

O Pai enviou o Paráclito em nome do Filho, para manifestar a glória do Filho. “Ele vos ensinará”, para que saibais; “recordar-vos-á”, isto é, subministrar-vos-á, para que queirais. De facto, a graça do Espírito Santo dá o saber e o querer. Por isso, canta-se hoje na missa: “Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis”, para que possuam ciência, “e acende neles o fogo de teu amor”, para que queiram realizar o que tiverem aprendido. Igualmente se canta: “Envia o teu Espírito e todas as coisas serão criadas” com a tua ciência, “e renovarás a face da terra” com a boa vontade.

Do sermão do domingo de Pentecostes

Aprofundemos

Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (Atos 2,4), daquele Espírito que Jesus havia prometido, que sempre permanecerá connosco (Jo 14,16), ensinará tudo e lembrará tudo o que Jesus nos disse (Jo 14,16). No seu sermão para o Domingo de Pentecostes, Santo António enfatiza a ação múltipla do Espírito nos corações dos cristãos e da Igreja, com as imagens do fogo, símbolo de amor; das línguas, símbolo do testemunho da palavra e da vida; da sabedoria que dá conhecimento, faz conhecer; e do querer, que realiza em nós os gestos e as palavras de Jesus.

As imagens fortes e expressivas são, para António, as formas preferidas de comunicação, porque elas atingem a imaginação, estão próximas da nossa forma de pensar e viver e nos impelem para agir de modo que as palavras de Jesus não fiquem apenas no papel, mas se tornem mensagens concretas para a nossa vida quotidiana.

Nós sabemos qual é o poder das mensagens, hoje. Presentes abundantemente na televisão ou nos ecrãs dos telemóveis, são línguas que falam as mais diversas línguas, complacentes, mas muitas vezes também contrárias ao bom senso; fogo capaz de inflamar multidões de várias partes do mundo simultaneamente e em poucos segundos; tantos julgamentos quanto os cérebros que os produzem; e acima de tudo, manipulações de forças ocultas das quais não conhecemos as intenções, nem os conteúdos.

Temos, portanto, grande necessidade de luz para discernir os verdadeiros valores, de um juízo correto para esclarecer as coisas, de um calor para nos despertar da nossa indiferença e de ardor para testemunhar, hoje, a palavra de Jesus e do seu Evangelho. Por isso, rezemos com Santo António, com a Igreja e as comunidades de que somos membros:

Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo de teu amor”.

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