Tempo de Crises

Nascido em 1930, Michel Serres, francês, é um dos pensadores contemporâneos mais significativos. Ao contrário do que é habitual, Serres propõe, ao longo das suas obras, uma aproximação entre as ciências humanas e as ciências físicas, defendendo que somente assim será possível inverter o caminho atual de degradação do planeta. É esta a tese que preside a Tempo de Crises, escrito em 2009.

Serres parte da profunda crise financeira mundial que eclodiu em 2008 para apresentar uma leitura mais abrangente das mudanças operadas nas últimas décadas. A concentração das populações nas cidades, a queda do setor primário em função do setor terciário de produção e as novas tecnologias de comunicação pedem uma nova vivência da democracia, uma passagem das disputas dualistas – políticas, diplomáticas, económicas – para um diálogo a três, no qual o planeta e os elementos naturais sejam ouvidos e representados pela voz das ciências. Escrito numa linguagem direta e sem receios – pela autoridade sapiencial de que o autor dispõe – Tempo de Crises apresenta linhas de reflexão que conduzirão o leitor a rever a sua conduta, o seu papel e o seu lugar num mundo em permanente mudança.

Lembremo-nos, pensávamos o contrário: acreditávamos na nossa fraqueza e no poder de uma natureza que nos oprimia, portanto na finitude humana e no infinito do mundo. Pensávamos, corajosos, que a nossa história consistia em lutarmos incessantemente contra uma força sempre mais alta e profunda do que a nossa. A imagem inverte-se: doravante sabemos que somos infinito, na razão, na procura, no desejo e na vontade, na história e no poder, mesmo no consumo, e que, perante nós, a natureza é finita.


Obra: Tempo de Crises
Autor: Michel Serres
Edição: Guerra e Paz
Páginas: 120

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