13 março 2019 – Dies irae, dies illa?

Dia da ira, naquele dia

Hoje, dia 13 de Março de 2019, enquanto estou de retiro com o clero de Lisboa, sinto o presságio de que não será um dia feliz para a Igreja.

Jornais e televisões de todo o mundo estarão prontos a lançar duas notícias contrastantes: 6 anos do Pontificado do Papa Francisco e 6 anos de prisão para o Cardeal George Pell, condenado por abusos sexuais sobre menores. Esta é a sentença emitida no dia em que a Igreja celebra o aniversário da eleição do seu Pastor universal.

Como reagirá o Papa Francisco? Não sei. Ele também está de retiro. Sem dúvida é um momento profundamente doloroso e vergonhoso para a vida da Igreja.

Sim a Igreja, “casta e meretriz”, como a definiu Santo Ambrósio; chamá-la de “meretriz” (prostituta), neste momento, é pouco perante os crimes contra as crianças.

Tinha um desejo, que não é uma curiosidade mórbida, mas sim uma vontade de compartir dor, o desejo de perguntar ao Presidente da Conferência Episcopal portuguesa, o Patriarca D. Manuel Clemente, como se sentiu durante a Cimeira no Vaticano convocada pelo Papa Francisco, para tratar linhas de intervenção contra os abusos sexuais na Igreja? Como encarou os relatos vindos de todo o mundo? Como acolheu o testemunho das vítimas de abusos perpetrados por pessoas consagradas que pertencem à Igreja Católica? Como reagiu perante os olhos de todo o mundo, dos crentes e não crentes, amargurados e revoltados com estes escândalos horríveis?

Repito: não é mera curiosidade, mas para entender como podemos meditar e agir perante este momento tão negro e pecado gritante no seio da Igreja?

Talvez não seja necessário perguntar ao meu bispo, porque as palavras que o bispo de Roma, o Papa Francisco, proferiu no dia 7 de Março passado, durante o encontro com o clero romano, são esclarecedoras e desafiadoras.

“É evidente – disse Francisco – que o verdadeiro significado daquilo que está a acontecer, provém do espírito do mal, do Inimigo, que age com a pretensão de ser o dono do mundo. (…) Contudo, não desanimemos. O Senhor está a purificar a sua Esposa e esta a converter-nos todos a Si. Está a pôr-nos à prova para que compreendamos que sem Ele somos apenas pó. Está a lavar-nos da hipocrisia, da espiritualidade das aparências. Está a soprar o seu Espírito para restituir a beleza à sua Esposa, surpreendida em flagrante adultério”.


Foto da capa: A mulher apanhada em adultério, óleo sobre de tela de Guercino, 1621. Wikimedia Commons.

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Mensageiro de Santo António
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