O azeite que cura a nossa alma

A Palavra de Deus

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo.

Lc 4, 1-2

Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.
Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura.
Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor”.

Lc, 4, 14-19

A palavra de Santo António

Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito.

Costuma perguntar-se por quem. S. Lucas mostra clarissimamante que foi conduzido por aquilo de que estava cheio. A seu respeito disse ele mesmo em Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, por me ter ungido” (Is 61,1). Por aquele espírito foi conduzido ao deserto para ser tentado, porque o Filho de Deus viera restaurar o mundo desfigurado pelos pecados e, como médico, sarar os doentes. Convinha que curasse os contrários com os contrários, tal como sucede à arte da medicina em que as coisas frias se curam com as quentes e as quentes com as frias.

Primeiro domingo da Quaresma

O azeite, que ilumina, designa o conhecimento do pecado; o vinho, que inebria, a compunção das lágrimas.

Ele inebria a alma, afim de que se esqueça dos bens temporais… Bem se diz : “Ligou-lhe as feridas, lançando nelas azeite e vinho”. A graça do Espírito Santo liga as feridas da alma, quando promete ao penitente a esperança de perdão, a estola da glória.

Roguemos, irmãos caríssimos, para que a graça do Espírito Santo derrame nas feridas das nossas almas o azeite e o vinho da sua misericórdia, para recuperar, com a compunção a primitiva saúde perdida.

Decimo terceiro domingo depois do Pentecostes

Aprofundemos

Ao comentar o texto de Lucas 4,1-2, Santo António destaca o papel do Espírito na missão de Jesus.

O Espírito envolve totalmente Jesus quando o leva para o deserto; sugere as respostas face à tentação: “Só a Deus adorarás…” (Dt 6,13); “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16); unge-o para o enviar a anunciar o Evangelho na sinagoga de Nazaré (Lc 4, 18) e na Galileia (Lc 4,1).

Como tinha coberto com a sua sombra o ventre de Maria (Lc 1,35), como tinha feito saltar de alegria João no ventre de Isabel (Lc 1,41), como revelou a presença do Salvador ao velho Simeão ( Lc 2,25-26) e, depois, como tinha revelado a alegre notícia aos simples (Lc 10,21) e como se dá a conhecer a todos aqueles o procuram com sinceridade (Lc 11,13).

Assim como em Jesus, o Espírito está presente em nós desde o batismo, ajuda-nos a entender a Palavra de Deus, sugere-nos as respostas para dar àqueles que combatem nossa fé e sustenta-nos no sofrimento e nas provações da vida.

De facto, o Espírito Santo – explica António nos seus sermões – é como o azeite que flutua na superfície de cada líquido: Ele é a esperança que excede todo o desejo humano, a consolação que alivia as feridas, a energia que prepara o atleta de Cristo para testemunhar a sua fé num mundo que a recusa, a luz que revela as dobras secretas da consciência e nos ilumina para renovar as promessas de nosso batismo.

Durante o tempo da Quaresma, rezemos ao Espírito Santo – conclui António – para que derrame nas feridas do nosso coração o azeite e o vinho da sua misericórdia e nos faça reencontrar a saúde, perdida pelo pecado.

Foto: Oliveiras sob céu amarelo com sol, Vincent van Gogh (1853-1980), óleo sobre tela, no Instituto de Arte de Minneapolis, EUA, wikimedia.org.

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