Igreja em saída – 1

E o homem, criatura e criador, vai ouvindo a voz de Deus

Iniciamos com este número uma série Especial da autoria de Arlindo de Magalhães, que se debruça, de uma foram particular, sobre alguns dos documentos chave do Papa Francisco.

Até João XXIII (1958-1963), a doutrina social da Igreja, que nascera com Leão XIII (1878-1903), ficou-se pelo infortúnio da “miséria imerecida”, embora com Pio XII (1939-1958), se tivesse preocupado com a guerra. Mas o Papa Bom, com a busca de A Paz na Terra, não se limitou a condenar a guerra.

No discurso que proferiu na ONU, em 1965, Paulo VI (1963-1978) referiu já a “consequência dramática da atividade descontrolada do Homem” e João Paulo II (1978-2005) a ecologia global: é necessário mudar “os estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades” (CA 58). Bento XVI gritou que o ambiente natural estava já carregado de chagas causadas pelo comportamento irresponsável da Humanidade!

Que “Deus é grande” diante da Criação, disse-o Paulo (Rm 8,20), disse-o S. Francisco, di-lo o crente. Mas nem todos ficam calados diante de tanta grandeza! Por exemplo, do amarantino Teixeira de Pascoaes:

Ó bendita paisagem!
Ó sagrada montanha, que eu adoro!…
Alta e santa montanha omnipotente!…
Ó montanha num êxtase divino
Sob o fantasma universal de Deus!…
Santa montanha azul da minha infância
Amo-te, desde a fonte piedosa
Que dos teus flancos mana, duma casta
E fresca transparência religiosa…
Amo-te mais por tudo o que não sei
Dizer, quando te vejo! …
E o homem, criatura e criador,
Ouviu a voz de Deus que lhe falou:
– Na tua consciência, em puro amor,
Existirei por toda a eternidade!
Teixeira de Pascoaes

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Foto da capa: Amadeo de Souza Cardoso, Título desconhecido (Montanhas), cerca de 1912, Gulbenkian.

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