De engenheira a monja de clausura

Quando confiamos no Senhor sucedem coisas verdadeiramente belas mesmo se, para muitos, são impensáveis e, até, incompreensíveis!
É o caso da Irmã Maria Francisca que fez recentemente a sua Profissão Solene, prometendo viver para toda a vida em pobreza, castidade e obediência, segundo a regra de Santa Clara de Assis.

Irmã Maria Francisca com a madre a superiora.

Maria Francisca, engenheira eletrónica de profissão, foi, desde sempre, muito ativa na paróquia, sendo, entre outras coisas, responsável da Ação Católica. A um certo ponto da sua vida, como ela mesma conta, sentiu que lhe faltava qualquer coisa.


Começou assim uma longa procura interior, que viria a culminar na escolha radical de entrar num mosteiro de clausura para viver quotidianamente na oração e no encontro contínuo com o Senhor, “porque só Ele é o sentido de tudo”. Falando de si, ela recorda:

Foi um caminho longo, mas, mesmo nas dificuldades, nunca pensei voltar para trás, segui em frente, com a força que era de um Outro, porque Deus é mais teimoso do que eu.
Contei com a ajuda e a presença contínua de um padre espiritual. Muito importante, também, foi poder caminhar com outras pessoas ao meu lado, respirar com elas a mesma comunhão, olhando e sentindo as suas escolhas definitivas e nessa relação fazer vir ao de cima o melhor de mim. Ajudou-me muito o contacto com a Palavra de Deus dentro da qual mergulhei cada vez com mais profundidade.
Agora a minha vida desenrola-se no mosteiro, misturada de oração, que começa às 6 da manhã, e de trabalho, com todas as exigências da vida comunitária. E o trabalho não nos separa do clima de oração, como a oração não nos afasta da vida concreta. Além disso, uma característica do nosso mosteiro é a adoração eucarística continuada, à qual cada uma de nós dedica uma hora por dia, em alternância. Fascina-me a vida de fraternidade, porque permite fazer a experiência de que a fé e a humanidade são uma coisa só.

O sentido de uma vida “atrás das grades”

A 11 de agosto de 1253, à beira do limiar da vida, no eterno abraço do Pai, Santa Clara dizia a si mesma:

Vai segura porque tens um bom guia na viagem. Vai, porque Aquele que te criou, te santificou e, guardando-te sempre como a mãe ao filho, amou-te de terno amor. Tu, ó Senhor, sê bendito, porque me criaste.

As irmãs Clarissas, na pobreza do quotidiano, procuram viver, em particular, as últimas palavras com que santa Clara selou a sua peregrinação terrena. As irmãs vivem na contemplação, numa oração continua pelo mundo, no paciente acolhimento de si mesmas com as próprias fragilidades e os próprios limites e acolhendo, também, quem bate à porta à procura de conforto, oração e escuta. E são muitos os que recorrem a esta ajuda das irmãs. Elas tornam-se um sinal do amor misericordioso de Deus.

Acolher e escutar as pessoas, fazê-las sentir-se preciosas

Quem vem rezar com elas ou falar com elas vai-se embora confortado, aliviado e agradecido. As irmãs rezam e escutam. Mas aquilo de que elas verdadeiramente se apercebem é de que a sociedade precisa de estar “aberta ao céu”, à relação com Deus. Esta relação ajuda o homem a libertar-se da escravidão da auto realização, da eficiência, da perfeição, do sucesso e do ter.

Viver os “limites” próprios e do mundo, no encontro com Deus. Indicar outros horizontes, acolher, escutar, encontrar as pessoas, fazê-las sentir-se “preciosas”, recolher as suas lágrimas, partilhar as suas alegrias… Pequenas coisas: menos de cinco pães e dois peixes. Mas são as pequenas coisas que fazem a diferença na vida das pessoas.

Mensageiro de Santo António
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